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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 19. A Igreja



 

 

A Igreja é a comunidade universal e local dos homens que estão unidos a Cristo, pela fé e pelo baptismo, e que querem perseverar numa vida alimentada pela Palavra de Deus e dos sacramentos, consagrados para o testemunho e ao serviço do evangelho na caridade. A Igreja continua a obra de Cristo sobre a terra: instituída por ele, ela é o instrumento da Palavra de Deus no mundo.
A Igreja foi prefigurada em Israel, o povo de Deus, e é essencial que mantenha uma estreita relação de comunhão e de solidariedade com este povo. Cristo fundou a Igreja a partir do povo de Israel, de modo que a unidade da Igreja e de Israel é a exigência normal desejada por Deus para o seu povo.
A Igreja foi fundada por Cristo em três grandes tempos. Antes de mais, Jesus reuniu os seus doze apóstolos para que eles fossem testemunhas da sua vida terrestre, da sua morte e da sua ressurreição. Este grupo ou este corpo dos Doze é o núcleo da Igreja, como povo na continuidade de Israel formada de doze tribos, e como instituição que transmite a Palavra de Cristo e os sacramentos da sua presença e da sua obra. Os Doze representam ao mesmo tempo toda a Igreja como povo, os leigos (de laos: povo), e a Igreja como instituição, o ministério: neles encontram-se todos os leigos e todos os ministros das Igreja. Depois, ao pé da cruz, a Igreja nasce do Espírito do Crucificado e do sangue derramado para a redenção dos homens; ela aparece aí, sob a figura de Maria, como Igreja-mãe dos discípulos amados de Cristo, simbolizados em São João. Finalmente, a Igreja manifestou-se no Pentecostes, da força do Espírito Santo, na sua missão universal. Portanto, a Igreja foi fundada por Cristo como corpo apostólico, como mãe dos fiéis e como instrumento do Espírito Santo para a proclamação universal do Evangelho.
A Igreja, como instrumento da Palavra de Deus sobre a terra, não existe para si própria, mas para o mundo. Ela não é uma fortaleza que fechou as brechas para viver em segurança e combater melhor o inimigo. E Igreja é um povo consagrado espalhado no mundo, à procura das sementes que Cristo, Senhor universal, espalhou abundantemente sobre a terra; ela ajuda no crescimento dessas sementes, pela irradiação da luz do Espírito Santo e pelo calor do amor sobrenatural. Ela alegra-se por todos os sinais da obra de Cristo que encontra no mundo, de toda a verdade, de toda a beleza, de toda a bondade; ela favorece a propagação dos valores humanos, frutos da acção escondida de Deus, para os levar à maturidade perfeita do Reino, pela luz do evangelho e pela consagração dos sacramentos; todos estes valores, a Igreja oferece-os para louvor de Deus, na acção de graças da eucaristia.
A Igreja (ecclesia) é a assembleia do povo de Deus. Só Deus conhece todo o seu povo. Há um mistério da Igreja, povo de Deus, para além da instituição eclesiástica, que transborda da Igreja como comunidade de baptizados edificada e estruturada pelos ministérios. Existe uma ligação estreita entre Igreja, povo de Deus, conhecida só por ele, e a Igreja, instituição de libertação pelo Evangelho e pelos sacramentos; a segunda é sinal da primeira.
A Palavra de Deus, viva (Cristo), escrita (Bíblia) e pregada (proclamação da Igreja), reúne a Igreja; o baptismo da água e do espírito incorpora os homens na Igreja; a eucaristia alimenta e estrutura a Igreja, o ministério governa a Igreja e guarda-a na unidade.
Todos os baptizados fazem parte da Igreja, mas ela compreende também em potência todos os homens que Cristo prepara secretamente para a revelação do seu amor. Portanto, a Igreja é muito mais vasta e mais numerosa do que aparenta aos olhos do mundo. Ela é o povo que Deus conhece no seu amor.
A Igreja é o Corpo de Cristo. Não é somente uma analogia, mas a expressão de uma realidade profunda. Na cruz, todo o povo de Deus foi reunido numa só pessoa, verdadeiramente obediente, Jesus Cristo crucificado, estreitamente unido a sua Mãe, a Virgem Maria e a são João o bem-amado, primícias da nova Aliança.
No Pentecostes, o Corpo de Cristo estende-se a partir do corpo dos apóstolos e sob o poder do Espírito Santo; ele continuará a crescer como assembleia visível e universal, manifestação actual sobre a terra da humanidade de Jesus Cristo.
O Corpo de Cristo é a Igreja como organismo visível ao serviço do Senhor, como instrumento da sua palavra viva, virada para o mundo e que se exprime pelos ministérios organizados.
A Igreja, Corpo de Cristo, é uma realidade concreta, visível, organizada, estruturada, que se manifesta local e universalmente.
A Igreja é ainda a Esposa de Cristo; esta expressão significa que ela não é somente um organismo estruturado pelos ministérios organizados, que ela não é somente um corpo ou uma instituição, mas uma pessoa em relação particular com o seu Senhor. Como Maria de Betânia, a Igreja está ao pé de Cristo numa atitude de adoração e de contemplação. Ela não é só a serva de Deus para actuar no mundo, mas ela está também chamada a exprimir a oração, o louvor, a adoração dos cristãos, dos crentes e de toda a criação que deseja Deus.
A Igreja não tem só um papel activo provisório até à vinda de Cristo, mas também um papel contemplativo definitivo, porque ela encontrar-se-á novamente no Reino de Deus.
A Igreja, como esposa de Cristo, é chamada a uma vida de santidade. Ela não pode estar submissa às realidades deste mundo; ela está orientada para o Reino de Deus que há-de vir e que ela proclama em palavras e actos; ela espera cada dia o regresso glorioso de Cristo, seu Senhor; ela exprime essa espera de modo particular na sua liturgia. A Igreja só pode ter uma atitude de desprendimento e de liberdade contra todos os poderes ou riquezas humanas. A Igreja, Esposa de Cristo, é serva e pobre, ela é a serva do seu Mestre numa atitude de total dependência dele, porque só ele pode enriquecer a sua pobreza.
A Igreja é una, santa, católica ou universal, e apostólica.
Como instrumento da Palavra de Deus sobre a terra, como assembleia do povo de Deus, como Corpo de Cristo, a Igreja é una. Todos os baptizados estão incorporados no mesmo povo e no mesmo corpo, para render testemunho ao seu único Senhor, é a única Esposa de Cristo que o contempla e o serve pela sua liturgia universal, na rica diversidade das suas expressões. Esta unidade de todos os baptizados deve manifestar-se visivelmente também na unidade da fé fundamental e da vida sacramental. Infelizmente, por culpa dos homens, a unidade visível da Igreja esteve comprometida ao longo dos tempos. O movimento ecuménico, que agora vive em todas as fracções da cristandade, tende a restaurar esta unidade visível da fé e dos sacramentos numa só Igreja.
Esta unidade não significa uniformidade, mas ligação orgânica de todas as Igrejas locais, nas suas válidas diversidades, de modo que todos os baptizados, confessando a mesma fé, possam participar juntos nos mesmos sacramentos, em particular na mesma eucaristia, sinal da sua unidade no Corpo de Cristo.
A Igreja é santa porque ela é habitada pelo Espírito Santo e santificada pelo bom depósito da Palavra e dos sacramentos. Ela é, ao mesmo tempo, uma instituição santa, por causa das palavras santas que ela proclama e dos actos santos que ela realiza, e uma comunidade de pecadores, mas de pecadores constantemente perdoados. É necessário distinguir nela as funções sagradas, como a pregação, a liturgia, os sacramentos, e as pessoas que as realizam; é necessário distinguir nela o santo ministério da Palavra e dos sacramentos e os homens pecadores que exercem esse santo ministério. A santidade da Igreja, que significa a fidelidade de Deus para com o seu povo, implica a indefectibilidade: as portas do inferno não prevalecerão contra ela; a Igreja não pode comprometer a fé cristã fundamental, nem a vida sacramental: Cristo, mesmo nos momentos mais sombrios da história da Igreja, salva nela o essencial do seu ministério para a salvação dos homens.
A Igreja é universal, ou católica, porque, nesta terra, é nela que se pode alcançar a plenitude de Cristo. Esta plenitude é, primeiramente, a plenitude da verdade: é na Igreja universal que se encontra a maior plenitude de verdade possível neste mundo; o julgamento da Igreja universal é plenitude de verdade em relação ao julgamento individual ou eclesiástico local. A plenitude da Igreja vem-lhe de que ela incorpora a experiência espiritual de todos os homens no tempo e no espaço, na sua imensa diversidade; esta plenitude da Igreja universal relativiza os nacionalismos e as tradições particulares ou recentes. A plenitude da Igreja universal é uma plenitude de vida; na vida da Igreja, todo o ser do homem está envolvido no louvor e no serviço de Deus; esta plenitude de vida está visível na liturgia e na ética cristã que requerem a participação de todo o ser humano, de toda a criação para glória de Deus. A Igreja és universal, católica ou plenitude, porque nela o particular se insere na totalidade: plenitude de verdade, plenitude espacial, plenitude temporal, plenitude de vida.
A Igreja é apostólica porque ela reconhece a sua identidade fundamental com a Igreja dos apóstolos de Cristo, tal como nos aparece na sagrada Escritura. A Igreja é apostólica pela sua fidelidade a sagrada Escritura, incluída no espírito da tradição apostólica ao longo dos séculos; ela é apostólica pela sua celebração dos sacramentos instituídos por Cristo e celebrados pelos apóstolos; ela é apostólica pela continuidade do ministério ao serviço e Cristo; ela é apostólica porque é missionária e porque, até ao regresso glorioso de Cristo, ela não deixa de proclamar o Evangelho a todos os homens.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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