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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 24. A Eucaristia



 

 

A eucaristia é o sinal visível e o sacramento eficaz da presença real e da obra santificadora de Cristo na sua Igreja: ele alimenta os membros do seu Corpo pela sua própria pessoa, realmente presente.

A razão profunda da nossa fé na presença real e viva de Jesus Cristo na Eucaristia, é que ele próprio, na tarde de quinta-feira santa, nos deixou o sacramento da sua presença quando disse «Este é o meu corpo… este é o meu sangue».

A presença real de Cristo na eucaristia, é a presença de Cristo crucificado, ressuscitado e glorificado, segundo a sua obra de redenção na Igreja e pela Igreja. A presença real não é uma presença estática, imóvel, como é a de um objecto, mas a presença viva de Jesus Cristo, actualizando para nós o mistério redentor, tornando actual o seu sacrifício único da cruz. É por isso que não podemos falar da presença real sem falar primeiro da presença do sacrifício de Cristo na Eucaristia. A presença real, é a presença real de Cristo crucificado e glorioso, actuante a sua Igreja pelo poder sempre actual do seu sacrifício.

A Igreja primitiva , fiel ao Novo Testamento, viu na eucaristia a nova refeição pascal da nova Aliança. Como os judeus, na refeição anual da Páscoa, tendo presente e actual a libertação do povo de Deus, cumprida pela saída do Egipto, os cristãos, na refeição da eucaristia, torna presente e actual a redenção do povo de Deus realizada de uma vez por todas sobre a cruz.

Neste mistério, deve ver-se um memorial no sentido bíblico, ou seja, um acto litúrgico pelo qual se dá graças a Deus por todas as suas maravilhas, e pelo qual lembramos que o que ele fez uma vez, a sua misericórdia, as suas bênçãos, para que ele dê, ainda hoje, um novo sinal do seu amor. Neste sentido, a eucaristia, sacramento ou actualização do sacrifício de Cristo, é um sacrifício de louvor que dá graças a Deus pelas suas maravilhas e um sacrifício de súplica que implora a graça do Senhor.

A eucaristia é um sacrifício de acção de graças e um sacrifício de intercessão:

ela é a presença sacramental do sacrifício da cruz pelo poder do Espírito Santo e da Palavra, e a apresentação litúrgica deste sacrifício do Filho pela Igreja ao Pai, em acção de graças por todas as suas bênçãos e em intercessão para que lhas conceda novamente;

ela é participação da Igreja na intercessão do Filho junto do Pai no Espírito Santo, para a dar a salvação a todos os homens e a vinda do Reino na glória;

ela é a oferenda que a Igreja faz de si mesma ao Pai, unida ao sacrifício e à intercessão do Filho, como a sua suprema adoração e a sua perfeita consagração no Espírito Santo.

Sem retirar nada à unicidade da cruz, à expiação, à reconciliação, à redenção, e eucaristia é o sacramento da presença do único sacrifício, continuando hoje na Igreja a actualização da salvação, a comunhão com Deus, a intercessão de Cristo. A eucaristia, é a cruz presente na Igreja, estendida a todos os homens no tempo e no espaço, na profundidade, na obra única e perfeita de Cristo. Na eucaristia, a Igreja encontra Cristo que dá a salvação a cada um, aprofunda a comunhão dos homens com Deus, intercede por todos e apressa a vinda do Reino.

A Igreja realiza as palavras de Cristo: «Isto é o meu corpo… este é o meu sangue…», num sentido muito simples, ao mesmo tempo realista e sacramental: realista porque Cristo as disse verdadeiramente e ele está realmente e concretamente presente na eucaristia; sacramental, porque a sua presença não é carnal como a nossa. Na Eucaristia, Cristo glorioso está presente na Igreja em toda a sua pessoa, mas de forma sacramental, de uma maneira que é um mistério. Para os Padres da Igreja, o pão e o vinho mudam-se no corpo e sangue de Cristo segundo o mistério de Deus, que de um pão e de um vinho normal faz o corpo e o sangue de Cristo, sinais sacramentais da sua presença real.

Hoje, numa mesma vontade de fidelidade e numa perspectiva ecuménica, nós podemos resumir assim a nossa fé na presença real de Cristo na eucaristia:

a) O corpo e o sangue de Cristo, toda a sua humanidade e a sua divindade, estão realmente presentes na eucaristia.

Esta presença real do seu corpo e do seu sangue, é a presença de Cristo crucificado e glorificado, aqui e agora, em sinais concretos. O sentido de toda a presença corporal é o de atestar que uma pessoa está concretamente presente e que ela pode entrar numa comunicação concreta. Pela presença real do corpo e do sangue de Cristo, a Igreja tem a certeza de que o seu Senhor está no meio dela concretamente e que o recebe sob uma figura concreta.

b) Cristo apodera-se soberanamente, pelo Espírito Santo e pela Palavra, dos elementos do pão e do vinho atraio-os a si e assume-os na plenitude da sua humanidade e da sua divindade, para que eles se tornem realmente o seu corpo e o seu sangue, segundo o Evangelho.

Cristo glorioso toma a figura do pão e do vinho para manifestar a sua presença corporal na Igreja. O pão e o vinho da eucaristia já não são mais um pão e um vinho ordinários. É claro que a sua natureza química continua a mesma do pão e do vinho, mas por detrás dessa natureza química é necessário reconhecer pela fé a verdadeira e nova realidade substancial desse pão e desse vinho: o corpo e o sangue de Cristo. A Igreja acredita que este pão e este vinho são corpo e sangue de Cristo, no sentido de que Cristo glorioso aproveitou para se tornar numa figura concreta da sua presença no meio de nós (a sua figura eucarística), um lugar onde ele pode ser encontrado, contemplado, comunicado.

c) O corpo e o sangue de Cristo, objectivamente presentes na eucaristia para a comunhão, afectam realmente todos os que os recebem.

São Paulo exprime essa objectividade da presença eucarística de Cristo, mostrando as consequências nefastas de uma comunhão incrédula ou egoísta, sem discernimento do corpo de Cristo ou do corpo da Igreja pela fé e pela caridade (1 Cor 11, 27-34). No caso de uma comunhão indigna, aquele que não tem fé nem caridade encontra Cristo, realmente presente, mas não recebe os frutos desse encontro. É sempre necessário lembrar que a eucaristia é para os pobres e para os doentes que todos nós somos, na fragilidade da nossa fé.

d) A comunhão do corpo e do sangue de Cristo é também uma comunhão de cada um no corpo eclesial; unidos numa mesma oferenda pela Igreja em Cristo, os fiéis estão todos ligados, indissoluvelmente pela comunhão no corpo de Cristo.

Se a Igreja faz a eucaristia, a eucaristia faz a Igreja; a Igreja une e consolida ao mesmo tempo todos os membros do corpo de Cristo. Unidos no corpo de Cristo, eucarístico e eclesial, os baptizados são consolidados na unidade e só podem procurar a profundidade, o prolongamento e a realização total da sua unidade.

Sacramento de unidade, a eucaristia é sacramento da caridade que ela conserva e aprofunda. Na vida de uma comunidade local, a eucaristia é o lugar por excelência onde a Igreja se constrói, se estrutura e se aprofunda na caridade. A Igreja que celebra frequentemente a eucaristia vê Cristo, pela eucaristia, desenvolver a sua caridade, a sua unidade, e e tornar eficazes a sua palavra e a sua vida no mundo.

Assim, os cristãos separados não podem ter maior desejo de unidade do que o de estar um dia reunidos numa mesma fé e numa mesma comunhão eucarística, que serão o sinal da sua unidade visível plenamente realizada.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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