Logotipo - Igreja do Convento de São Domingos
Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 29. O ministério ordenado



 

 

Os apóstolos instituíram os ministérios, pela imposição das mãos, dom do Espírito, para a proclamação do evangelho, a celebração dos sacramentos e a reunião da comunidade cristã com vista à missão. Eles transmitiram a sua autoridade de guardiães do bom depósito e de responsáveis da sua fiel transmissão, a «homens prudentes», sucessores dos apóstolos e vigilantes da Igreja. Esta imposição das mãos, realizada em obediência ao Espírito Santo, no discernimento e na ordem, para dar sempre à Igreja novos ministérios, sinais do ministério de Cristo, é um dado objectivo da tradição apostólica. Por esta ordenação, o Espírito Santo desperta os homens para que sejam instrumentos de Cristo edificando s sua Igreja num reino sacerdotal, num corpo profético no mundo. Estes instrumentos, estes ministérios ordenados, dão a sua vida a Cristo, oferecem o seu espírito, o seu coração, as suas palavras, os seus gestos, para que Cristo, profeta, apóstolo e mestre, proclame a sua palavra; para que Cristo, sacerdote e intercessor, celebre os sacramentos, exerça o louvor e a intercessão; para que Cristo, rei, pontífice e pastor, conduza o seu povo na unidade e na obediência, para o Reino. Da imposição das mãos faz parte o guardar o bom depósito, porque ela gera sempre de novo estes sinais e instrumentos necessários do pastoreio de Jesus Cristo na Igreja, para que ela seja um reino sacerdotal e profético, para que Deus seja glorificado e que o mundo acredite.

Esta ordenação dos ministérios da Igreja é de instituição apostólica e parte integrante do bom depósito, uma vez que gera para a Igreja os sinais e os instrumentos do ministério de Cristo pela sua palavra e pelos sacramentos. Sem a ordenação, a Igreja não poderia assegurar que os ministros que ela institui no seu poder, por causa da sua vocação e da sua formação, estão verdadeiramente aptos a transmitir a palavra de Deus, a celebrar os sacramentos de Cristo, na verdade do Espírito, são verdadeiramente os órgãos autênticos da tradição do evangelho na Igreja. Na certeza de que Deus é livre e de que o Espírito sopra onde quer. Cristo proclama a sua palavra e manifesta a sua presença pelos profetas, pelas testemunhas, pelos fiéis; porque onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome, ele estará no meio deles. Não acontece somente pela ordenação dos ministros. Mas isso é indispensável para transmitir o Espírito Santo que une os apóstolos com os seus sucessores e os seus colaboradores na guarda fiel do bom depósito.

A imposição das mãos pode ter sido dada por um colégio de presbíteros, agindo como um colectivo episcopal: “Não descures o carisma que está em ti, e que te foi dado através de uma profecia, com a imposição das mãos dos presbíteros” (1 Tim 4, 14). Pode ter sido dada pelo próprio apóstolo: “Recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos” (2 Tim 1, 6). Ela pode ter sido dada pelo sucessor do apóstolo (1 Tim 5, 22). Mas é sempre o apostolado colegial que, em nome de Cristo, se junta desde os sucessores ou colaboradores pela imposição das mãos conferindo o Espírito Santo, pela fiel tradição do evangelho na Igreja, ao longo da palavra de Deus e dos sacramentos da sua presença. O Espírito foi dado pela imposição das mãos dos apóstolos (Act 8, 18). Eles estão sempre presentes na Igreja e são eles sempre os que continuam a assegurar a sucessão ininterrupta do ministério para a guarda fiel do bom depósito, para a tradição autêntica do Evangelho. É o que vem a significar a Igreja, ao atribuir o ministério da ordenação aos bispos, sinais da presença dos apóstolos na Igreja, para a governar. Contudo, a concepção de um episcopado colectivo do colégio dos presbíteros, que tem o ministério da ordenação, não é estranho nem contrário à prática da Igreja antiga, em certas regiões. O que é importante, é que o bispo, único ou colectivo, tenha a intenção de actuar na sucessão e na comunhão dos apóstolos, com eles, para conferir aos novos ministros o dom do Espírito Santo, para que sejam sinais e instrumentos do pastoreio de Jesus Cristo no seu Corpo, a Igreja. O ministro da ordenação é o apóstolo, sempre presente na Igreja, pelo seu sucessor, seu intermediário, o bispo, único ou colegial. Normalmente, reunindo as duas tradições, a Igreja reconhece o ministro da ordenação no bispo, sucessor do apóstolo, agindo no e com o colégio dos presbíteros, colaboradores do apóstolo.

Só há um bom pastor, o Senhor Jesus Cristo. Ele conduz o seu povo, a Igreja, com perfeita inteligência e segurança. Ele conhece cada um dos que lhe pertencem e quer conduzi-los ao seu Reino sem perder nenhum. Cristo, o grande pastor, bispo ou guarda das nossas vidas, é, como o título indica, aquele a quem o Pai concedeu a unção perfeita (chrisma), aquele que marcou com o seu selo no baptismo no Jordão. Ora, os que recebiam a unção, na antiga Aliança, eram os profetas, os sacerdotes e os reis. Cristo recebeu a unção profética, sacerdotal e real; ele possui a plenitude do poder de Deus sobre o seu povo, ele é o perfeito e o último sucessor de Moisés, de Aarão e de David.

Cristo é profeta: ele deu-nos a palavra de Deus contida no evangelho; pelo Espírito Santo, ele conduz-nos na verdade plena. Cristo é sacerdote: ele morreu por nós, na cruz, oferecendo ao Pai o perfeito sacrifício e a intercessão eficaz que nos salvou para sempre; ele apresenta eternamente no céu o que fez de uma vez por todas, e a sua presença junto do Pai é uma intercessão viva por nós. Cristo é rei: ele ressuscitou, ele torna-se Senhor da Igreja e do mundo; pelo seu poder ele dirige todas as coisas, na unidade com o Pai e o Espírito Santo.

Cristo constituiu os fiéis em Igreja: ela é o seu Corpo e a sua Esposa, ao mesmo tempo o instrumento e a colaboradora da obra que ele começou sobre a terra até ao seu regresso. Cristo quis que a Igreja participasse no seu triplo ministério para continuar a sua acção: a Igreja é um sacerdócio real e profético. A Igreja é uma comunidade profética para proclamar os louvores daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável: a Igreja tem um ministério de pregação e de ensinamento que realiza no seu culto, no seu catecismo e na sua teologia. A Igreja é um sacerdócio santo que oferece sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo: a Igreja tem um ministério de louvor e de intercessão que exerce na sua liturgia. A Igreja é um povo real que tem no meio das nações uma bela conduta a fim de as levar a glorificar a Deus, no dia da sua Visita: a Igreja tem um ministério de irradiação; ela não tem de dar uma lição de moral ao mundo, ela demonstra acima de tudo pela sua existência do poder do Ressuscitado que deve procurar a paz.

Dando e estabelecendo os ministros ordenados, o Senhor organiza o sacerdócio real e profético da Igreja no mundo, exercido conjuntamente por todos os fiéis. O ministério pastoral na Igreja é essencialmente o ministério da palavra, dos sacramentos e da unidade; é o sinal visível do amor de Cristo pela Igreja: ele alimenta-a pela sua Palavra e pelo seu Corpo, ele condu-la ao Reino eterno.

O carácter específico do pastor é de ser o servidor de uma comunidade de irmãos: ele alimenta-a pela palavra e pelos sacramentos, ele condu-la na unidade. O bispo é o pastor de uma Igreja local ou regional, numa cidade ou numa região de várias comunidades; ele representa a unidade das comunidades entre elas e a sua unidade com as outras Igrejas na Igreja universal.

O pastor é o ministro de Cristo-profeta: ele prega e ensina a palavra de Deus. O pastor é o ministro de Cristo-sacerdote: ele celebra a eucaristia lembrando diante do Pai o único e perfeito sacrifício de Cristo; ele intercede pela santificação de toda a Igreja e de cada fiel. O pastor é o ministro de Cristo-rei: ele incorpora os novos fiéis no Corpo de Cristo pelo baptismo, associando-os ao sacerdócio real e profético; ele consagra os servidores da Igreja para a confirmação; ele combate contra o pecado e contra o mal pela absolvição e pela imposição das mãos aos enfermos; ele abençoa o matrimónio e todas as situações humanas com vista da sua santificação; ele reparte os dons do Espírito que recebeu, ao impor as mãos aos novos pastores, com os seus colegas, sob a direcção do bispo que representa a unidade da Igreja; como ministro de Cristo-rei, o pastor exerce agora ainda a autoridade do servidor que reúne a comunidade cristã tendo em vista da sua missão.

A imposição das mãos na ordenação é o sinal eficaz dos dons do Espírito Santo dirigidos ao ministro para o seu ministério; Deus envolve-se neste gesto da Igreja e dá-lhe o que lhe prometeu: a força do seu Espírito. A imposição das mãos é um acto sacramental que realiza o que significa.

A ordenação tem um carácter definitivo; o ministro da Igreja compromete-se em ser pastor até ao regresso de Jesus Cristo, que tem a missão de preparar. Só uma autoridade sinodal ou ecuménica poderia libertar da sua missão por uma razão importante.

O mistério ordenado é compatível com um trabalho, que pode ser mesmo necessário, em alguns casos, para um melhor contacto com os homens. O ministério ordenado pode também ser objecto de uma licença, sem que uma nova ordenação seja necessário em caso de um regresso.

O ministério ordenado da palavra, dos sacramentos e da unidade, pode exercer-se numa grande diversidade de ministérios segundo as necessidades da Igreja.

E se a unidade de uma comunidade cristã tem necessidade de um ministério pastoral, se a unidade das comunidades de uma região reclama um ministério episcopal, a unidade das Igrejas regionais na Igreja universal chama igualmente a um ministério particular? A tradição reconheceu o valor do ministério de alguns patriarcas que têm a sua autoridade sobre um certo número de Igrejas regionais. Mas esses patriarcas reconhecem o primado uns dos outros? O bispo de Roma viu o seu ministério estender-se pouco a pouco a um papel de primado e de árbitro na Igreja universal. Essa autoridade não lhe é reconhecida por todas as Igrejas. Mas, num tempo em que a unidade visível dos cristãos está em vias de se reconstituir, não será necessário repensar este ministério universal do bispo de Roma para proveito de todas as Igrejas? Nas reuniões dos concílios ecuménicos, é útil que uma autoridade universal esteja ao serviço da unidade de todas as Igrejas na fé e na caridade. Na verdade, as reuniões de um sínodo universal, representativo de todas as Igrejas, podem assegurar este ministério de unidade. Mas este sínodo deve ser presidido, arbitrado, continuado no tempo intermediário das suas sessões. O bispo de Roma, ao qual a tradição reconheceu essa função universal, não poderia ser aceite por todas as Igrejas como servo dos servos de Deus? Se a tradição da Igreja universal tem mais autoridade que a de uma Igreja local ou que a fé de um cristão, não é necessária uma voz que a exprima? O bispo de Roma poderia encontrar, na unidade de todas as Igrejas, um ministério de servidor da fé universal expressa pelos concílios e de árbitro nos conflitos que poderão colocar em cauda a unidade visível.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

R. João de Freitas Branco, 12, Lisboa, 1500-359 Lisboa
Tel: +351 217 228 370 | | E-mail: