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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 39. A justiça e a verdade



 

 

A caridade não se alegra com a injustiça, ela alegra-se com a verdade (1 Cor 13, 6). O fruto da luz está em toda a espécie de bondade, justiça e verdade (Ef 5, 9).

A justiça leva-nos a desejar e a querer para cada homem o mesmo que a nós. O cristão é uma testemunha e um apóstolo da justiça entre os homens. Ele não pode suportar as desigualdades, as opressões, as tiranias. Ele protesta, com a Igreja, contra a injustiça que faz com que certos homens morram de fome, enquanto outros têm alimento em superabundância. Ele reclama, com a Igreja, contra a injustiça que faz com que alguns tenham muito e outros o mínimo para viver humanamente. Ele protesta, com a Igreja, contra os poderes deste mundo que tem prazer em manter estas situações de injustiça para benefício de alguns.

Os cristãos rezam e lutam por uma justa repartição dos bens da terra entre todos os homens, por uma cooperação dos homens no trabalho, por uma participação justa de cada um nos benefícios de qualquer empreendimento comum.

Os cristãos exigem que os governos façam respeitar não somente a ordem, mas também a justiça entre os homens. A Igreja tem o ministério de lembrar estas exigências do evangelho junto dos poderes deste mundo.

A Igreja reconhece nos governos deste mundo a autoridade escondida de Deus que mantém a ordem e a justiça, que favorece a vida e a liberdade humanas, que permite a proclamação do evangelho. Mas esta autoridade não é automaticamente reconhecida pela Igreja sobre qualquer poder humano, seja qual for. Se um governo não defende a ordem e a justiça, se ele despreza a vida humana e se impede absolutamente a liberdade de consciência e a proclamação do Evangelho, e Igreja pode não lhe reconhecer uma autoridade legítima, desejar e favorecer o seu restabelecimento, numa atitude de testemunho corajoso e não violento; isso pode ser levar até à perseguição. Mas ela sabe que está justificada por Deus; «Felizes os perseguidos pela justiça, porque deles é o Reino dos céus» (Mt 5, 10).

A Igreja está do lado da justiça social e o cristão, por seu lado, trabalha para o estabelecimento dessa justiça. Se o cristão pode envolver-se politicamente no combate em favor dessa justiça, a Igreja não pode identificar a sua posição com a e um partido humano. Ela fica fora das escolhas políticas dos homens, apenas com a exigência de que, seja qual for a escolha, eles respeitem a justiça social, a dignidade humana, a liberdade de consciência e do testemunho cristão.

A verdade é, como a bondade e a justiça, um fruto da luz. Pela bondade e a justiça, os homens podem perceber, através da atitude de verdade do cristão, um raio da luz de Deus. Porque ele acredita na verdade da palavra de Deus, o cristão procura ser verdadeiro para com ele e para com os outros; ele é verdadeiro nas suas palavras e nas suas acções.

A verdade das palavras e dos actos é uma exigência de discrição e de sinceridade, para o cristão. Porque ele não deve viver na ilusão, nem criar ilusões aos outros, o cristão é simples e sincero nas suas palavras e nos seus actos. Ele não leva a crer aquilo em que não acredita. O cristão deve ser um homem em quem se pode confiar com toda a segurança. Ele foge da mentira, da dissimulação ou do exagero. É verdade que, por vezes, os sentimentos poderão exprimir-se com entusiasmo; o cristão pode assim brincar com humor. Mas em todo o caso, ele é claro, e não consente ser enganado pelo fracasso por causa da integridade verdadeira das suas palavras e dos seus actos.

Por este esforço de verdade para consigo e para com os outros, o cristão torna-se um ser límpido e transparente. Ele não exibe as suas dificuldades, mas a sua atitude simples e sincera transparece pouco a pouco na sua pessoa, que deixa, cada vez mais brilhar em si a presença de Cristo. Este comportamento verdadeiro dá confiança aos outros e prepara-os para receber através do cristão, testemunha de Cristo, a luz do Espírito Santo que os iluminará. Pela verdade da sua atitude, das suas palavras e das suas acções, o cristão torna-se um bom suporte e um bom instrumento da verdade que ele deve espalhar e testemunhar, a verdade que está em Cristo, luz do mundo.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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