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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 7. A Trindade



 

 

A fé cristã em Deus é a fé num Deus-Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus em três pessoas iguais. Esta Trindade de Deus é um mistério insondável, que não pode ser tocado senão na contemplação da fé, fundada sobre a história da salvação que nos é dada pela sagrada Escritura. Não podemos explicar as três pessoas numa única divindade mas reconhecêmo-las na revelação da Palavra de Deus, a mesma que a Igreja conserva na tradição, nós adoramo-las na liturgia comunitária e na oração pessoal.

Deus, criador e salvador, manifestou-se aos homens em plenitude em Jesus Cristo. Jesus Cristo, na sua missão terrestre, revelou aos homens que Deus é Pai, está na origem de todas as coisas, criador do mundo e iniciador da salvação. Foi a pessoa do Deus-Pai que enviou o Filho ao mundo para manifestar o seu amor e operar a salvação universal. A pessoa do Filho, incarnada num homem, manifestou pela sua vida de obediência e pela sua morte libertadora as relações de amor que Deus estabeleceu e renovou entre ele os homens. Depois do regresso de Cristo para junto do Pai, Deus enviou à sua Igreja o Espírito Santo prometido pelo Filho. O Espírito Santo anima a Igreja e concede-lhe todos os dons necessários ao seu ministério no mundo. Depois do Pentecostes, o Pai e o Filho continuam presentes na Igreja pela pessoa do Espírito Santo; os três reinam sobre todo o mundo para o guiar para o Reino eterno que há-de vir. Deus Pai veio a nós no Filho que enviou; o Pai e i Filho vêm a nós pelo espírito Santo que habita na Igreja e no cristão; a Igreja e o cristão chegam ao Pai e ao Filho pelo Espírito Santo.

A fé e a oração cristãs dirigem-se, portanto, ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. É o Espírito Santo que suscita a fé e a oração que leva ao Pai pelo Filho. Existe uma igualdade perfeita das pessoas divinas e uma unidade completa da sua acção na Igreja e no mundo. Acreditar no Espírito Santo, é acreditar no Filho e no Pai; orar ao Pai, é orar ao Filho e ao Espírito Santo. Esta igualdade não anula a distinção das pessoas divinas. Foi o Pai que enviou o Filho pelo Espírito Santo, no momento da incarnação; foi o Pai que enviou o Espírito Santo em nome do Filho, aquando o Pentecostes. Foi o Filho que se incarnou na obediência ao Pai e pelo poder do Espírito Santo. Foi o Espírito Santo que foi dado à Igreja no momento do Pentecostes e que vive no coração dos cristãos, para lhes dar a fé e a oração, que sobe ao Pai pelo Filho.

Esta fé no Deus-Trindade, fundada sobre a revelação da história da salvação e brota da contemplação litúrgica e pessoal, faz-nos penetrar no mistério da vida de Deus, sem que nós o possamos compreender racionalmente. Não há solidão em Deus, há uma comunidade de pessoas iguais na unidade perfeita. Ainda que seja racionalmente incompreensível, este mistério da Trindade de Deus és mais acessível à nossa fé do que a afirmação de uma só pessoa divina. Pela existência das três pessoas da Trindade, Deus torna-se-nos mais acessível e mais próximo, porque se manifesta como um Deus vivo, na vida em que nós podemos entrar pela fé e pela oração. Manifesta-se também como um Deus de amor em quem as três pessoas iguais e distintas se amam na perfeição absoluta do amor. A fé e a oração não são o diálogo distante e terrível de uma criatura com o seu criador, sozinho na sua divindade; elas são uma participação de homens, tornados filhos adoptivos do Pai pelo Filho no Espírito Santo, em diálogo e intercâmbio das três pessoas divinas no amor e na unidade perfeitas.

(Ir. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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