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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 23. O baptismo



 

 

O baptismo é o sinal visível e o sacramento eficaz da remissão total do pecado do pecado. O homem nasceu em estado de pecado que o separa de Deus. Mas Cristo viveu, morreu e ressuscitou, para reconciliar o homem com Deus. Pelo baptismo, Deus concede a cada um o perdão total adquirido para nós pela morte libertadora de Cristo. Pelo baptismo na água, o homem, separado de Deus, entra na comunhão com Ele. O baptismo é um mergulho no amor de Cristo que purifica de todo o pecado; é uma passagem com Cristo, pela morte e sepultura espirituais, do homem pecador afastado de Deus, em vista de uma ressurreição à vida nova e do dom do Espírito Santo que santifica essa vida. Pelo baptismo, o pecado é afogado, o homem pecador morre, mergulha com Cristo e ressuscita com ele para a vida da fé.

O baptismo é o primeiro passo da nossa participação na vida do Corpo de Cristo, que deverá renovar-se cada dia. É sempre com novidade que mergulhamos pela fé nesta vida, nesta morte e nesta ressurreição de Cristo. O baptismo é o primeiro sinal deste movimento da vida cristã.

O baptismo na água é uma morte e uma ressurreição; é a acção litúrgica pela qual a Igreja faz passar um homem pelo mistério da morte e da ressurreição do Senhor: estreitamente unido a Cristo, o baptizado é como que sepultado para que morra nele o poder do pecado e volte à vida que suscita nele o poder da ressurreição do Filho de Deus. O baptismo na água é, portanto, uma purificação; Cristo ao fazer passar o baptizado pela sua morte, dá-lhe uma força de purificação que com a fé lhe permitirá ter as boas disposições para acolher a palavra de Deus. A aspersão com a água é o sinal eficaz desta purificação. O baptismo na água é um novo nascimento, o começo da vida cristã na força dada pela ressurreição de Cristo. O símbolo primitivo da imersão na água significa, concretamente, a morte, a sepultura, a ressurreição o novo nascimento. O baptismo na água é uma incorporação a Cristo e à Igreja; o baptizado participando na morte e na ressurreição de Cristo torna-se com ele um só corpo, é um membro do Corpo de Cristo, da Igreja. A presença da Igreja pela comunidade reunida significa essa incorporação.

O baptismo na água está ligado ao baptismo no Espírito; pela imposição das mãos, a Igreja significa este dom do Espírito Santo que vem habitar o baptizado. O baptismo do Espírito é uma iluminação; o baptizado recebe o Espírito Santo que o irá iluminar na fé e que lhe permitirá compreender a Palavra de Deus. O baptismo no Espírito é uma consagração; o Espírito Santo associa o baptizado ao sacerdócio real e profético de Cristo e das Igreja no mundo. O baptismo no Espírito é um selo; o Espírito Santo marca o baptizado para que ele seja protegido até ao último dia e reconhecido digno do Reino.

O baptismo na água e no Espírito conduz à eucaristia; desde que o baptizado possa discernir o Corpo do Senhor, ele pode comungar; o catecismo prepara o baptizado para esse discernimento e explicita a confissão de fé no baptismo; a confirmação é uma consagração dos baptizados a um serviço disponível na Igreja.

O sacerdócio real e profético do povo de Deus, ao qual o baptismo no Espírito consagra o cristão, foi descrito por são Pedro: «Vós, como pedras vivas, entrais na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo…; Vós, sois linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamardes as maravilhas daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável; vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia. Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos carnais, que combatem contra a alma. Tende entre os gentios um comportamento exemplar, de modo que, ao acusarem-vos de malfeitores, vendo as vossas boas obras, acabem por dar glória a Deus no dia da sua visita» (1 Pe 2, 5. 9-12).

O baptizado no Espírito é um ungido (cristão quer dizer ungido); ele é, como o Ungido do Senhor, Cristo, profeta sacerdote e rei; ele participa no ministério profético, sacerdotal e real de Cristo. O baptizado participa no ministério profético de Cristo anunciando os louvores d'Aquele que o chamou das trevas à sua luz admirável; ele participa no ministério sacerdotal de Cristo oferecendo os sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo; participa no ministério real de Cristo tendo no meio dos homens uma boa conduta para os levar a glorificar a Deus, no dia da sua Visita. Assim, o baptizado está consagrado pelo Espírito Santo em vista do testemunho pela palavra, da oração de louvor e de intercessão, da irradiação da existência, para o mundo e no mundo. O baptizado realiza este sacerdócio real e profético para os homens para que, um dia, eles glorifiquem a Deus. A santificação do baptizado não só para ele, mas para os outros pela irradiação da palavra, da oração e da vida.

O sacerdócio real e profético dos baptizados não é o poder de assumir qualquer cargo na Igreja. Por vezes existe esta concepção vaga do sacerdócio universal. O sacerdócio real e profético é o sacerdócio de toda a Igreja, partilhado por cada baptizado, em relação a todos, pelo testemunho profético no mundo, pela oração sacerdotal em favor de cada homem, pela existência real, liberta e radiosa, no meio dos homens. O sacerdócio real e profético não pode ser confundido com o ministério na Igreja, que implica uma vocação particular, uma formação especial, uma ordenação específica.

O sacerdócio dos leigos, sacerdócio de toda a Igreja como Corpo de Cristo no mundo, reveste uma importância e uma dignidade únicas. São Pedro mostra, a seguir ao texto que foi citado mais acima: na vida civil e social, no casamento, no sofrimento e nas perseguições (1 Pe 2, 13-3,17). O título leigo deve guardar sempre a sua beleza e sua nobreza: significa a pertença do baptizado ao «laos», ao povo de Deus, povo santo e adquirido, resplendente da glória de Deus entre os homens.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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