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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

SD0 Novena a São Domingos - 3º dia

17 de Maio

 

 

TERCEIRO DIA

PENITÊNCIA DE S. DOMINGOS

 

S. Domingos levou sempre uma vida muito austera. Mortificava-se na comida, no sono e no corpo. Muito moderado no comer e no beber: um prato único e um pouco de vinho misturado com três quartos de água. Jejuava desde o dia 14 de Setembro até à Páscoa e todas as sextas-feiras do ano; guardava a abstinência perpétua. Abstinência e jejum que fielmente observava mesmo nas doenças ou em viagem.

O estabelecimento da Ordem e o ministério das almas obrigavam-no a frequentes e longas viagens. Atravessou e percorreu várias vezes a Itália, a França e a Espanha, pois viajava sempre a pé, mendigando o seu pão.

Tinha por costume caminhar descalço, excepto ao atravessar as povoações, e não consentia que outros levassem o seu calçado.

Nunca lhe ouviram uma palavra de maledicência, de adulação ou ociosa. Só falava de Deus ou do que respeitava à salvação das almas. Guardava rigorosamente, mesmo fora do convento, o silêncio prescrito pelas Constituições da Ordem.

Sujeitava-se inteiramente as observâncias monásticas, que, se são um amparo da vida religiosa, são também uma penitência, uma vez que coarctam a liberdade e mortificam os sentidos. Todos os seus companheiros afirmam que era rigorosíssimo observante da Regra.

Era também por penitência que abraçava a pobreza voluntária e a praticava com severidade.

Dormia muito pouco, consagrando à oração a maior parte da noite, tanto quanto o permitia a fragilidade corporal. Quando o sono e o cansaço o venciam, descansava uns minutos e depois recomeçava as suas vigílias.

Nunca teve uma cama sua. Encontravam-no frequentemente a dormir numa cadeira, num banco, no chão ou sobre o pavimento da igreja, com a cabeça apoiada numa pedra. Não queria deitar-se sobre um colchão, nem sequer quando estava doente.

Macerava o corpo com cilícios, e todas as noites se disciplinava, pedindo, por vezes, a outros que o ajudassem nessa dura penitência. Segundo um dos seus biógrafos, costumava disciplinar-se três vezes por noite: uma por si, outra pelos pecadores e outra pelas Almas do Purgatório. Após a sua morte, encontraram o seu corpo cingido de uma cadeia de ferro.

S. Domingos orientava a sua penitência sobretudo para a redenção das almas. Dirigindo-se, uma vez, para uma controvérsia com os hereges, enganado por um deles, precisou de atravessar um bosque cheio de espinhos. O sangue jorrava-lhe dos pés. Então, com alegria, dizia aos que o acompanhavam: «Caríssimos, confiemos no Senhor; temos certa a vitória, pois, com este sangue que derramamos, expiamos os nossos pecados». Os hereges, perante tão grande virtude, converteram-se.

Sentia-se mais feliz na adversidade do que na prosperidade. Se o serviam ou tratavam mal, longe de se queixar, irradiava satisfação.

A sua sede de sofrer por amor de Cristo e bem das almas era tal que os hereges que, uma vez, o esperavam numa emboscada, ao verem a sua intrepidez, perguntaram-lhe: «Não tens medo da morte? Que farias se caísses nas nossas mãos?» S. Domingos respondeu-lhes: «Pedir-vos-ia que não me matásseis de um só golpe, mas cortásseis, um a um e lentamente, todos os meus membros, os colocásseis diante de mim, me arrancásseis depois os olhos e me abandonásseis, ou então me acabásseis com a vida a vosso bel-prazer».

Não entraremos no Reino dos Céus sem mortificação. S. Domingos quis que seus filhos a fizessem; por isso, deixou prescritas na Regra algumas das austeridades por ele praticadas. Peçamos-lhe que nos dê o seu espírito.

 

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