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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 28. O casamento e o celibato



 

 

 

O casamento cristão é uma união no amor humano, santificado pelo amor da caridade, dom de Deus.

O casamento cristão não é um simples contrato de fidelidade entre dois seres que se amam e querem começar uma família; tem a sua fonte, o seu fundamento e a sua garantia em Deus. Quando dois seres se unem pelo casamento cristão, eles sabem que serão uma só criatura aos olhos de Deus. O próprio Deus se envolve com eles no seu casamento; ele realiza e consagra essa união. O envolvimento humano do casamento, fundado sobre o amor de um homem e de uma mulher, recebe uma dimensão sacramental pelo envolvimento e consagração de Deus, que também deseja essa união, funde-a sobre o seu amor e fidelidade, a garante contra os riscos de mal-entendidos e de ruptura. «Eles não serão dois, diz Cristo, mas uma só carne; o que Deus uniu, o homem não deve separar» (Mt 19, 6). Por causa deste envolvimento e desta consagração a Deus, confirmados pela palavra de Cristo, que corresponde ao acto humano da união de dois seres, o casamento cristão tem um valor sacramental; é um contrato humano de fidelidade que compreende a fidelidade de Deus e a consagração do seu Espírito. Unidos em Deus e por Deus, os esposos cristãos não se poderão separar sem contrariar a vontade de Deus que, apesar de todas as infidelidades humanas, continua fiel à sua promessa e à sua bênção.

O casamento cristão é um mistério, um sinal de amor que une Cristo e a Igreja. São Paulo escreve: «Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja» (Ef 5, 25). Depois, citando como Jesus o texto do Génesis sobre o qual ele fundou o «mistério» do casamento, ele diz: «Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério; mas eu interpreto-o em relação a Cristo e à Igreja…» (Ef 5, 31-32). Se o apóstolo pode, então exortar o homem e a mulher a se conformarem com as relações que unem Cristo à Igreja, que são as mesmas na própria instituição do casamento na criação (Gn 2, 24) um mistério de grande significado. O casamento cristão é portanto um símbolo da unidade de Cristo e da Igreja no amor da caridade, sacrificado e generoso. Este é o segundo aspecto do carácter sacramental do casamento. Os esposos cristãos devem tender, na sua vida, a manifestar concretamente o significado do sinal que eles constituem pela sua união: eles devem sacrificar-se um pelo outro generosamente, a exemplo de Cristo e da Igreja. Eles são uma pregação viva do mistério de amor mútuo da Igreja e de Cristo.

O casamento cristão está consagrado e abençoado pelo gesto litúrgico da Igreja. O Espírito Santo é invocado sobre os esposos cristãos para que a sua união seja consagrada e que eles tenham a força de ser na sua existência o que eles são na realidade: unidos em Deus e símbolo do amor mútuo de Cristo e da Igreja. É o terceiro aspecto do carácter sacramental do casamento dos cristãos. Não somente Deus se envolve na sua união que Deus une e garante, eles não são somente um sinal da união de Cristo e da Igreja, mas eles recebem o Espírito Santo que santifica a sua união. Portanto, o amor humano e físico recebe uma dignidade que o torna símbolo do amor de caridade, sacrificado e generoso. Cada esposo não se pertence a si mesmo, ele pertence ao outro, ao qual ele se dá e pelo qual ele se sacrifica; e isto é possível no Espírito Santo que consagra o casamento para sempre. «Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).

O Espírito Santo, que enche os esposos cristãos dos seus dons e chama-os à fidelidade, faz da sua união uma união indissolúvel.

O casamento cristão funda a família cristã. Os esposos cristãos recebem com alegria as crianças que Deus lhe concede ter. A sua união não é só para eles próprios, egoísta e fechado; ela está ao serviço de Cristo e da Igreja; é por isso que eles desejam uma família que glorifica a Deus, no amor, a alegria e a liberdade. O seu compromisso com os filhos que lhes foram dados, como sinais visíveis do seu amor, constitui o quarto aspecto do carácter sacramental do casamento. As crianças, dons de Deus, são uma nova consagração do casamento; eles renovam o vínculo da sua união; eles aprofundam a fidelidade dos esposos, que se amam e para transmitir a vida, a alegria e a liberdade.

Esta via do casamento cristão não é fácil; ela supõe uma vocação, uma escolha, um envolvimento, com sacrifícios e dificuldades. Aos apóstolos que se questionaram sobre as exigências do casamento enunciadas por Cristo, ele respondeu-lhes: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado».

Nem todos os cristãos são chamados ao casamento. Alguns recebem a vocação de guardar o celibato por causa de Cristo e do Reino de Deus. Esses cristãos são normalmente chamados a viver em comunidade por um serviço particular de Deus e da Igreja, no louvor litúrgico, a vida fraterna, o dom de si e do próximo. O celibato cristão tem três significados principais: diaconal (liberta-se para o serviço de Cristo), contemplativo (favorece a vida de oração), escatológico (anuncia o Reino de Deus).

O celibato cristão permite uma liberdade e uma disponibilidade na vida e no ministério que lhe é muito próprio ao serviço do Evangelho. O celibato voluntário por causa do Reino dos céus estabelece uma semelhança não somente espiritual, mas também concreta com Cristo. Seguindo a Cristo, o celibatário cristão pode empenhar-se totalmente no ministério. Todas as suas forças podem tender a uma pregação viva do Evangelho para apressar o regresso de Cristo. Ele está disponível para responder aos apelos da Igreja e da sua comunidade com disponibilidade.

Aquele que conhece a solidão do celibato voluntário só pode desejar viver por Cristo, na sua dependência e amizade. O celibatário cristão procura os meios de agradar ao Senhor na vida contemplativa. A vida litúrgica de uma comunidade cenobítica está em relação directa com essa intenção de agradar ao Senhor. A oração litúrgica e a oração contemplativa repõem constantemente o monge ao lado de Cristo na atitude de São João Baptista, que dizia: «O esposo é aquele a quem pertence a esposa; mas o amigo do esposo, que está ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo. Pois esta é a minha alegria! E tornou-se completa!». A esposa de Cristo é a Igreja, e o discípulo de Cristo não tem melhor amigo que o Esposo da Igreja. Basta-lhe estar ao seu lado e escutá-lo; a voz do Esposo; a voz do Esposo alegra-o na oração e na contemplação. Esta dependência do discípulo celibatário é a sua alegria perfeita.

O celibato é um sinal da ressurreição e do reino de Deus que vem, porque, na Ressurreição e no Reino, ninguém se casa nem ninguém se dá em casamento. No Reino de Deus, a plenitude do amor é tal que não se sentirá o desejo de uma intimidade limitada. Pelo contrário, esta aparece como uma diminuição do amor. Assim, os celibatários cristãos são os sinais dessa plenitude de amor que se realizará no Reino.

O envolvimento no celibato voluntário, que faz parte da vocação cenobítica, com a comunidade de bens e a obediência a uma regra e a uma autoridade, tem, como o casamento, um carácter definitivo. É uma ligação indissolúvel de fidelidade à imagem de Cristo e da comunidade à qual se junta para o servir. No acto de envolvimento cenobítico, Deus une-se pelo apelo que faz e pelos dons que concede. Cristo prometeu aos que, por ele e pelo Evangelho, tenham deixado tudo, e em particular a perspectiva da vida conjugal e familiar, cem vezes mais já no tempo presente e a vida eterna no tempo futuro. O monge deve, então, acreditar que se realiza nele esta promessa irrevogável, se ele estiver definitivamente envolvido no seu estado por Cristo (Lc 18, 29-30). Deus não se arrepende de conceder os seus dons e de chamar (Rm 11, 29). Nesta certeza, o monge cristão encontra a paz e a disponibilidade necessárias a uma oração e a um ministério eficaz. A certeza de que Deus é fiel e de que não se arrepende de nos ter dado esta ou aquela vocação, tais e tais dons, cria em nós a alegria e elimina nos nossos corações qualquer gemido sob o peso de um ministério ou de um estado, porventura, diferente.

Alguns cristãos são chamados a aceitar ou a desejar o celibato por amor e ao serviço de Cristo, sem ter vocação à vida monástica. Dado o estado difícil da sua solidão no mundo, eles procurarão um lugar fraterno com aqueles que têm a mesma vocação. O celibato, se não conduz necessariamente à vida cenobítica, chama entretanto a um lugar de fraternidade que seja um apoio no envolvimento interiormente consentido.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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