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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 21. A vida eterna



 

 

Os homens que estão unidos a Cristo, pela fé e pelo baptismo, que se alimentam do Evangelho e da Eucaristia, que permaneceram no amor de Deus e do próximo, têm prometida a ressurreição de todo o seu ser em vista de uma vida terna. Cristo fez claramente essa promessa: «É a vontade de meu Pai que quem vê o Filho e acredita nele tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia… Quem acredita na vida eterna… quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a visa eterna e eu o ressuscitarei no último dia». Assim, a fé em Cristo e a comunhão na eucaristia comunicam a promessa da ressurreição.

O cristão possui uma vida nova que não acabará jamais: ele viverá para sempre com Cristo. A morte corporal do cristão vem mudar o curso desta vida eterna; da visibilidade corporal, ele passa à invisibilidade (para os homens) da vida com Deus, mas ele não deixa de ser um vivente, em Cristo e pelo poder do Espírito Santo. O paraíso, ou o céu, designa esta vida invisível dos fiéis defuntos com Deus, esta vida eterna, recebida aqui em baixo pela fé e pelos sacramentos, que se continua na invisibilidade pelos homens. Esse lugar ou o paraíso é um repouso na visão de Deus e na comunhão dos santos. Não exclui um acto de oração e de entreajuda da parte dos fiéis defuntos em favor dos homens que travam agora o combate da vida terrestre. Esta vida invisível é uma perfeita felicidade na paz de Deus.

A sagrada Escritura deixa-nos entrever um outro lugar, num outro tempo e numa outra vida , onde os que na terra não tiveram ocasião de reencontrar verdadeiramente a Cristo ou de se decidir por ele, com conhecimento de causa, encontram uma nova possibilidade de acreditar na sua salvação. O Símbolo dos apóstolos chama-o de mansão dos mortos. Mas A revelação cristã é discreta em relação à outra vida; ela indica-nos para nossa consolação que todos os morrem na ignorância de Cristo e para manifestar a universalidade do evangelho, que foi e é proclamado mesmo aos mortos.

A Bíblia fala também de uma terceira possibilidade depois da morte: o inferno e a condenação. Aquele que, tendo verdadeiramente conhecido, tenha estado ligado a ele pela fé, tenham recebido os sacramentos, tenham beneficiados das graças do Espírito Santo, rejeitando a salvação, com todo o conhecimento de causa, esse crucificaria novamente a Cristo, e blasfemaria contra o Espírito Santo; porque a blasfémia contra o Espírito Santo não tem perdão possível, nem neste mundo, nem no outro.

É difícil de imaginar a possibilidade de uma tal situação; no entanto, a Escritura no-lo indica como um aviso. Há uma possibilidade extrema de pecado, para o cristão, que consistiria em blasfemar contra o Espírito Santo, a rejeitar categoricamente no fundo do seu coração a sua presença e a sua obra; este pecado possível contra o Espírito, esta rejeição consciente e voluntária da fé e da vida cristã, conduz a uma condenação sem perdão possível. Porque Deus respeita a liberdade do homem, ele deixa-o livre de, em consciência, o recusar. Essa situação, dificilmente imaginável e portanto possível, conduz ao afastamento de Deus. A este afastamento e este esquecimento chama-se inferno ou condenação. O homem que quis esta situação conhecerá uma segunda morte, não somente a morte do corpo, mas do espírito; ele não é digno de existir diante de Deus, ele cai no nada. Evidentemente não é possível à pessoa, nem à Igreja de fazer tal julgamento sobre qualquer pessoa, mesmo que tenha caído muito baixo. Só Deus conhece se existem tas pessoas e quem elas são.

Quando Deus achar que se tenha cumprido o tempo de proclamar o evangelho opor toda a terra, Cristo virá visível e gloriosamente para acabar o mundo tal como o conhecemos. Ninguém sabe nem o dia nem a hora deste fim e deste regresso. Os apóstolos ignoraram-no e acreditaram que este regresso de Cristo estava iminente. O próprio Filho de Deus, na sua incarnação, não o revelou. Este segredo de Deus e esta ignorância da Igreja são necessárias para que a nossa espera seja permanente e vigilante, cada dia a Igreja e os cristãos devem estar prontos a acolher a Cristo que virá na sua glória.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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