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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 17. A Ascensão



 

 

No final da sua vida terrestre, Cristo leva consigo a humanidade do seu corpo ressuscitado que ele adquiriu na incarnação. Portanto, nós estamos representados concretamente no próprio Deus; Deus enriqueceu-se com a experiência partilhada da nossa vida humana.

A ascensão de Cristo significa esta presença da nossa humanidade me Deus, esta assunção do humano na divindade. Nós temos, portanto, um representante e um intercessor junto do Pai.

Cristo é o nosso sumo-sacerdote que junta os nossos louvores e as nossas orações ao seu louvor e à sua oração; ele apresenta-as ao Pai que nos escuta e nos abençoa. Todas as nossas aspirações, todos os nossos anseios, todas as nossas súplicas passam pelo Filho para serem purificadas nele e apresentadas ao Pai das luzes.

O filho está presente na Trindade com as marcas da sua paixão redentora. É uma viva e eterna lembrança do que se realizou de uma vez por todas na cruz; e esta lembrança diante do Pai é uma intercessão eficaz para todas as nossas necessidades. Ao mesmo tempo que é um memorial vivo do seu sacrifício redentor diante do Pai, ele une a essa intercessão todos os nossos louvores e as nossas súplicas, e o Pai responde concedendo-nos por ele e nele todas as graças e bênçãos de que nós precisamos para viermos fielmente e alegremente.

Na sua ascensão, Cristo levou consigo todos os valores possíveis da nossa humanidade, e por ele em nele o Pai conduz esses valores ao seu pleno cumprimento. É, então, na união com Cristo glorificado, pela contemplação e pela oração, que nós podemos esperar a transfiguração da nossa humanidade pessoal e da humanidade colectiva. Cristo toma sobre si todas as nossas dificuldades e os nossos sofrimentos e transfigura-os para nos encher de alegria e de amor. Ele toma também consigo todos os valores da nossa humanidade para os completar, aperfeiçoar, transfigurar na plenitude da verdade, do belo e do bem, que só nele se encontra.

A nossa vida está, portanto, oculta com Cristo em Deus. A nossa existência de cristão é então uma comunhão incessante com Cristo, tal como nós o conhecemos pela sua vida terrestre e tal como está na glória da sua humanidade glorificada em Deus. Está também à espera do seu regresso, porque Cristo, o mesmo que foi para o Pai, com a nossa humanidade, virá gloriosamente no fim do mundo para manifestar visivelmente a sua soberania universal. Nós esperamos este regresso na paz e pedimos a Deus para apressar este fim e o estabelecimento visível do seu Reino, porque só então, aquilo em que nós agora acreditamos, vê-lo-emos em toda a sua plenitude: Cristo Rei, Senhor do universo, dirigindo e ordenando todas as coisas e conduzindo ao seu cumprimento final tudo o que a nossa humanidade tem de verdade, de beleza e de bondade, apesar do pecado que o obscurece. Então, as riquezas das nações, segundo o Apocalipse, entrarão no Reino, onde, transfiguradas, cantarão a glória do Criador.

fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op

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