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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 27. A unção dos doentes



 

 

O Senhor ressuscitado alcançou a vitória sobre todos os poderes do mal; ele tem todo o poder para curar os doentes, porque ele reina sobre os nossos corpos e sobre toda a nossa pessoa. Cristo manifestou repetidamente, ao longo da sua vida, o poder que tinha de curar os doentes. Esta cura teve sempre um grande significado no Evangelho. Ela é um sinal da compaixão do Salvador para o homem no sofrimento e um sinal da ressurreição espiritual pela remissão dos pecados.

Porque Deus nos ama, ele vem aliviar as nossas penas e os nossos sofrimentos, mas ele pode também querer manter-nos nas nossas doenças, às quais ele dá uma significação e uma eficácia de oração para os outros e de progresso espiritual para o doente. A cura não é um milagre em si mesmo; é um sinal do amor de Deus e da ressurreição interior do homem. Este conteúdo do sinal da cura existe também sem o sinal; se Deus julga que a doença é mais eficaz para o doente e para os que o acompanham, ele pode não querer dar este sinal. É porque nós não podemos nunca exigir o sinal da cura, mas somente dispormo-nos a recebê-lo, se Deus o quiser.

A Igreja tem a missão de manifestar a sua fé no poder vitorioso de Cristo sobre o corpo e sobre o doente; ela deve exercer um ministério de cura que significa a sua espera no milagre sempre possível. No seu ministério, a Igreja coloca-se à disposição de Cristo que age nela e por ela. Ela não impõe as suas intenções a Deus, mas realiza os gestos que ele ordenou, para que se manifeste a sua vontade. Assim, ela cumpre um ministério em vista da cura, ela impõe as mãos ou pratica a unção aos doentes na espera obediente da vontade de Deus.

A cura, como qualquer milagre, é um sinal de que a desordem da criação decaída coloca em questão a instauração do Reino de Deus por Cristo, Reino em que a manifestação gloriosa é sempre possível de um momento para o outro. Neste sentido, a cura é um sinal escatológico que anuncia a manifestação próxima do Reino, onde não haverá mas nem dor nem gemidos de dores e de sofrimento. A Igreja deseja e alegra-se de que o milagre físico acompanhe, às vezes, a sua pregação a apoia-a com toda a sua força de persuasão para o espírito humano incrédulo. A Igreja não considera o milagre como uma manifestação ilusória da psicologia humana ávida de sensação, mas como um sinal dado por Deus para apoiar a sua palavra e fortificar a fé.

A Igreja herdou os dons e os ministérios confiados aos apóstolos; ela recebeu também o dom e o ministério da cura, como os Doze que, sob a ordem de Cristo, pregam o arrependimento, expulsam os demónios, ungem com óleo a numerosos doentes e curam-nos (Mc 6, 12-13). A Igreja obedece à recomendação de São Tiago: «Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 14-15).

Existe uma ligação entre o pecado e a doença; não entre tal pecado e tal doença. mas entre o estado de pecado, onde se encontra a humanidade e que criou nela a desordem, e a doença, uma das manifestações dessa desordem. A confissão e a absolvição fazem, portanto, parte do ministério da cura pela imposição das mãos e a unção. São Tiago continua, com efeito, o texto que citámos acima: «Confessai, pois, os pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados».

A confissão e a oração de intercessão que a continua, têm em vista a cura, que nós devemos compreender no sentido total de uma ressurreição de todo o ser pelo Senhor. O ministério da cura, da confissão e da intercessão implica vigilância e obediência por parte da Igreja, dos seus ministros e dos seus fiéis, mesmo quando a sua eficácia não condiga com a sua medida.

Deus é fiel, ele cura, perdoa e escuta infinitamente mais do que nós lhe pedimos e pensamos; a sua obra é livre e não depende da nossa obediência, mas depende ainda da sua Igreja esta vigilância e esta obediência que devem significar e fortificar a sua fé. Com efeito, Deus responde sempre á fé, mesmo no sacramento.

O fervor não consiste, como muitas vezes se pensa, num tipo de aquecimento psíquico, mas num acto de é na intercessão. É todo o nosso ser que deve ser dado a Deus na calma e na confiança. Este fervor pode implicar um envolvimento ascético traduzido na insistência da oração: o jejum. Assim, enquanto que a Igreja se envolve neste ministério da cura, da confissão e da intercessão, ela não deve descurar a sua disciplina espiritual.

A oração fervorosa pela cura vem acompanhada dos sinais da imposição das mãos e da unção com óleo, seguindo a prática apostólica; estes gestos fazem parte do ministério da Igreja junto dos doentes; eles significam a sua expectativa de se ver manifestar o dom da cura.

A imposição das mãos aos doentes é o sinal pelo qual a Igreja põe obstáculo ao poder d mal. A unção do óleo é o sinal pelo qual a Igreja concede a força do Espírito Santo pela consagração do enfermo a um serviço particular da intercessão na sua doença e em vista da cura de todo o seu ser.

A Igreja deve envolver-se na fé da cura dos doentes: ela deve crer ao mesmo tempo no milagre e ficar disponível à vontade de Deus; este fervor e esta obediência são os frutos da pregação e da direcção espiritual. O efeito constante do ministério da cura é o da renovação do fiel doente e da comunidade cristã no arrependimento e na fé; qualquer gesto sacramental da Igreja serve para renovar e aprofundar a plenitude dada no baptismo.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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