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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 10. O pecado



 

 

Os primeiros humanos, criados por amor de Deus e para o amor de Deus, foram tentados pelo egoísmo e pelo orgulho e revoltaram-se contra Deus, querendo viver na independência, livres de toda a obediência relativamente ao Criador: eles quiseram fazer-se deuses. Eles rejeitaram o amor e a vontade de Deus.

O pecado original consiste numa revolta contra Deus, por parte do homem, considerando-se o centro do mundo, querendo tudo para si, dominar os outros e viver a sua vida na preocupação única do prazer. É isso que expõe de forma simbólica o relato da queda de Adão e Eva.

Eles representam toda a humanidade primitiva: o nome Adão significa «o que foi tirado da terra» e o nome Eva significa «a que dá vida». Os primeiros humanos corromperam-se uns com os outros e resultou na sua queda e na da criação na qual tinham sido constituídos senhores.

Se Deus permitiu que o homem se revoltasse contra ele, foi porque ele quis que a sua criatura, a mais perfeita, vivesse numa liberdade total para poder amar verdadeiramente o seu Criador; com efeito, não há verdadeiro amor sem verdadeira liberdade. Mas o homem usou mal essa liberdade que lhe tinha sido concedida para amar Deus. Usou-a para servir a sua própria pessoa; e, por isso, caiu no egoísmo e no orgulho, que constituem toda a revolta do homem contra Deus, para ganhar uma independência impossível, na obediência aos motivos do seu próprio prazer.

Mas Deus não tirou partido para si desta revolta e desta perda do homem. Ao longo da história, ele procurou restabelecer a comunhão que une o homem ao seu amor. Toda a história de salvação é esta procura que levou à incarnação do Filho de Deus e à redenção da humanidade pela sua morte sobre a cruz. Lá, o pecado da humanidade foi objectivamente e definitivamente perdoado. Mas cada homem que vem a este mundo e que vem marcado pelas consequências do pecado, que vê constantemente renascer em si e à volta de si as condições deste pecado inicial, deve, pela fé, unir-se a Cristo, que salvou a humanidade sobre a cruz, e pode assim escapar das consequências do pecado em si.

Esta descrição mítica da queda original deve levar-nos a reflectir sobre a nossa própria história pessoal, onde nós encontramos, na origem do nosso ser, esta tentação de egoísmo e de orgulho, este gosto de independência e de desobediência em relação a Deus. O meio humano no qual nascemos transmite-nos este pecado no qual nós consentimos facilmente. Mas Deus, que, pela incarnação do Filho e a redenção sobre a cruz, perdoou objectiva e definitivamente o pecado da humanidade, vem, na origem da nossa existência cristã, lembrar-nos o sinal eficaz da sua misericórdia: o baptismo. Pelo baptismo, que nos coloca no amor de Cristo revelado sobre a cruz, Deus afoga o poder destrutor do pecado original e dá-nos o poder do Espírito Santo, de tal maneira que o pecado, sempre a nascer em nós por causa da nossa solidariedade com a humanidade, nunca será mais forte que a graça, que nos salve e que nos sustenta até ao fim da nossa vida, até ao Reino eterno.

Pelo baptismo, o pecado original, histórico e pessoal, é perdoado e submergido em cada um de nós; nós reencontramos a liberdade original para amar a Deus e a força para combater e vencer os poderes do mal.

A nossa fragilidade pessoal está muitas vezes pronta para aceitar as tentações do mundo pecador que nos cerca e encontra eco em nós, mas a força do Espírito Santo, dada no baptismo, dá-nos a possibilidade de uma verdadeira liberdade diante do pecado, para a mar a Deus como ele quer ser amado desde a criação do mundo.

A Bíblia considera o pecado não somente coimo uma falta pessoal contra Deus e os homens, que tem a sua fonte no coração e na vontade do indivíduo, mas também como fruto de uma tentação exterior ao homem. A Bíblia considera igualmente o mal como a obra dos poderes exteriores – que ela chama Satã, o diabo ou os demónios –, contra os quais devemos combater com as armas espirituais. Porque Cristo venceu as forças do mal, o cristão pode dominá-los com a força do Espírito Santo em si.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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