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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 4. Onde viver a fé?



 

 

A fé cristã não é uma religião do livro, mas um caminho de esperança e de caridade, vivida à volta do Senhor, cuja Palavra ressoa na sagrada Escritura. Deste modo, a verdade que nos vem da Escritura é recebida pela comunidade da Igreja, que é o seio preparado pelo Espírito Santo onde esta verdade pode ser entendida, proclamada e acreditada da maneira mais autêntica.

Cristo, que fundou a Igreja, comunidade universal de todos os baptizados, continua a edificar, a ensinar, a alimentá-la pela sua Palavra que está na Escritura e pelo Espírito Santo.

A Igreja é constantemente reanimada pela Palavra viva de Deus e pelo Espírito Santo, no acontecimento da proclamação da verdade, contida na sagrada Escritura.

A Igreja recebe a Palavra de Deus que a reforma sem cessar e continuamente; ela recebe a Palavra de Deus contida na sagrada Escritura proclamando-a na sua liturgia e na sua pregação, estudando-a e ensinando-a. Porque a Palavra de Deus se destina primeiramente ao povo de Deus, à Igreja, e porque o Espírito Santo foi dado antes de mais à Igreja, como corpo universal, a Igreja é o lugar privilegiado onde se pode entender e compreender a verdade.

A Igreja é «a casa de Deus, a coluna e o sustentáculo da verdade» (1 Tm 3, 15), ela é a comunidade universal animada pelo Espírito Santo podendo receber e proclamar com a máxima verdade a Palavra de Deus contida na Escritura. É certo que o Espírito Santo ensina a verdade a cada membro da Igreja individualmente, quando escuta a palavra de Deus contida na Escritura, mas qualquer julgamento pessoal pode não assegurar a verdade, se ele não está de acordo com o julgamento universal da Igreja. O julgamento universal da Igreja é a norma de e uma justa interpretação da Palavra de Deus, porque o Espírito Santo dá à Igreja o sentido verdadeiro da sagrada Escritura quando iluminada pela própria Palavra de Deus. Assim, o Espírito Santo e a Palavra de Deus governam a Igreja e assistem-na na proclamação da verdade.

Este governo e esta assistência da Igreja pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus manifestaram-se primeiramente nos apóstolos. Cristo começou por edificar a sua Igreja sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sobre o fundamento das testemunhas oculares da sua vida, da sua morte, da sua ressurreição (os apóstolos), e sobre os seus sucessores imediatos (os profetas da nova Aliança). Estes apóstolos e estes profetas foram inspirados para proclamar a Palavra de Deus e escrever o texto sagrado; tiveram também o encargo do governo e do ensino, assistidos pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus.

Este encargo do apostolado teve um carácter único, intransmissível: só os apóstolos e os seus sucessores imediatos tiveram a inspiração para transmitir a Palavra de Deus e terem sido os alicerces da Igreja. É por isso que o seu ministério continua vivo e actual. Os apóstolos e os profetas continuam a governar a Igreja através da interpretação primeira da Palavra de Deus que eles deram; eles assistem também a Igreja através da sua oração.

Mas o encargo do apostolado, estabelecido por Cristo, tem também um carácter permanente, transmissível: os ministros da Igreja que têm a responsabilidade do governo e da guarda da doutrina participam desta missão do apostolado. É assim que, sempre ao longo da história, a comunidade universal da Igreja tem sido governada e ensinada, para se manter em obediência à palavra de Deus e na unidade do Espírito Santo.

Se há ministros da Igreja que têm o encargo especial do governo eclesial e da vigilância doutrinal, isso não significa que o povo dos fiéis seja passivo e não tenha mais do que se deixar conduzir e ensinar. O meio onde a verdade é entendida e proclamada, é o corpo eclesial do Cristo total. Cada fiel que lê a Escritura e a testemunha, participa efectivamente na compreensão universal da Palavra de Deus. É claro que há teólogos que têm o encargo mais específico de sondar as Escrituras para fazer aparecer todos os aspectos da verdade; é verdade há pastores que têm a missão especial de guardar o ensinamento fiel à verdade; mas cada cristão, unido à comunidade universal da Igreja, esclarecida pelos seus doutores e guiada pelos seus pastores, participa no aprofundamento do conhecimento doutrinal e da defesa do bom depósito da verdade.

Em certos momentos da sua história, sobretudo quando ela esteve ameaçada pelos falsos ensinamentos ou quando ela teve a necessidade de actualizar a sua proclamação da verdade, a Igreja reuniu-se em concílio ecuménico. Aí, toda a comunidade universal está representada pelos seus responsáveis e procura uma nova formulação da única verdade. As decisões de um concílio ecuménico envolvem toda a comunidade universal da Igreja, que deverão ser assumidas como verdade a expressão conciliar da Palavra de Deus. O concílio ecuménico é o lugar privilegiado na vida da Igreja onde se estabelece a compreensão universal da verdade, sob a direcção do Espírito Santo.

O conhecimento da verdade, dado em plenitude na Escritura, aprofunda-se portanto ao longo dos séculos, na comunhão da Igreja, contribuindo cada um com a sua participação do que pensa e do que reza nesse aprofundamento da Palavra de Deus iluminado pelo Espírito Santo. Para haver uma verdadeira compreensão da Palavra de Deus, contida na Escritura, é necessária a adesão ao sentido ecuménico da verdade contido na Igreja universal habitada pelo Espírito Santo.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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