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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 18. O Espírito Santo



 

 

Cristo Ressuscitado, estabelecido Senhor universal pela ascensão, não quis deixar os cristãos órfãos. No Pentecostes, ele envia o Espírito Santo sobre os discípulos, como prometeu. Terceira pessoa de Deus-Trindade, o Espírito Santo inaugura um tempo novo para o Povo de Deus. Antes da incarnação, ele manifestou-se algumas vezes, suscitando profetas, inspirando os sábios, guiando os heróis da fé. Em Cristo, Deus fez-se próximo do homem, ele acompanhou-o em todo o seu destino terrestre. Mas essa presença incarnada de Deus estava limitada a um tempo e a um lugar. No entanto, depois desta incarnação única, Deus não quis deixar de estar presente no homem, de forma muito particular. Pelo contrário, ele quis continuar esta presença limitada da incarnação em Jesus Cristo, de um outro modo, pelo Espírito Santo, universalmente presente em cada um. Pelo Espírito Santo, todo o homem que acolhe a fé em Cristo e recebe o baptismo estabelece uma relação única com Deus. Deus fica perpetuamente ao seu lado; Deus penetra todo o seu ser e toda a sua vida; Deus vem habitar nele; o seu corpo torna-se o templo do Espírito Santo.

Esta presença misteriosa de Deus no interior de cada cristão é inexplicável. No entanto, ela é um resultado da fé: pelo Espírito Santo, Deus, sempre presente, pode tornar-se interior ao homem que acredita em Cristo como seu Salvador. Compreende-se agora que Cristo tenha dito aos seus apóstolos que era melhor para eles que ele fosse, que terminasse o tempo único e limitado da incarnação. Com efeito, a presença local de Deus pela incarnação de Jesus Cristo veio, pelo dom do Espírito Santo, no Pentecostes, uma presença universal e interior. O Espírito Santo habita em toda a Igreja e em cada um dos membros da Igreja.

Esta habitação da pessoa do Espírito Santo na Igreja e no cristão não é uma confusão de Deus com a criatura. A pessoa do Espírito Santo não absorve a pessoa humana. O homem continua uma criatura, uma criatura que pode ser tentada pelo pecado, desobediente a Deus. Mas o Espírito Santo está lá, presente, para transfigurar a pessoa cristã, para santificá-la e conduzi-la à vida eterna. O Espírito Santo manifesta a fidelidade de Deus por aquele que lhe quer pertencer, apesar das suas infidelidades. O Espírito Santo está sempre connosco.

O Espírito Santo, que o Pai envia e dá, é o outro Paráclito, ou seja, como Cristo, o nosso guia e conselheiro, o nosso assistente e consolador, o nosso advogado e defensor.

Segundo a promessa do próprio Cristo, o Espírito Santo deveria lembrar aos apóstolos tudo o que eles haviam de dizer. Ele devia inspirá-los e guiá-los para a fundação da Igreja pela fé evangélica. Esta inspiração do Espírito Santo aos apóstolos, para lhes dar a memória da revelação, torna-se na Igreja uma assistência, para interpretar esta revelação e para a aplicar às necessidades do Povo de Deus. O Espírito Santo conduz a Igreja para a verdade plena; é Ele quem opera nela o desenvolvimento da sua inteligência sobre a verdade revelada. O Espírito Santo não fala de si próprio, ele não dá uma nova revelação à Igreja, mas diz ao coração da Igreja como deve entender o evangelho eterno de Cristo; pode também anunciar o que está para vir e dar assim à Igreja a justa percepção dos acontecimentos da história.

O Espírito Santo é igualmente guia e conselheiro de cada cristão. Ele dirige cada um na sua existência e esclarece-o para o fazer descobrir a sua vocação e a vontade de Deus a seu respeito. Nós deveríamos ter consciência dessa presença do Espírito Santo ao nosso lado e pedir-lhe frequentemente a sua orientação e a sua luz, para tomarmos as nossas decisões e conduzir a nossa vida.

O Espírito Santo é ainda o nosso assistente e consolador. Nas dificuldades e nas penas da vida, ele apoia-nos e consola-nos, dá-nos força e a coragem que às vezes nos falta. Particularmente na vida da oração, o Espírito Santo exerce em nós essa obra de assistência e de consolação. O Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque nós não sabemos pedir como deve ser; o Espírito Santo intercede por nós com súplicas inexprimíveis. Assim, segundo o pensamento de são Paulo, o Espírito Santo assiste-nos na nossa vida espiritual, na nossa oração. Ele coloca nos nossos corações o desejo da contemplação e as palavras da nossa intercessão. O Espírito Santo assiste assim a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade. Ele fortifica-nos quando a dúvida nos faz cair, ele coloca a luz nos nossos corações que a escuridão poderia invadir. Ele dá-nos um antegozo da vida eterna e reanima assim a nossa esperança que todos os desesperos deste mundo poderiam destruir. Ele reacende em nós o fogo do amor do amor de Deus pelos homem e permite-nos, assim, amar com um coração preparado para o sacrifício e para a compaixão. Aconteça o que acontecer, que um fogo me queime, o fogo do amor do Espírito Santo.

O Espírito Santo é o advogado e o defensor da Igreja e de cada um dos seus membros. Onde o mundo quer eliminar o evangelho, o Espírito Santo vem em auxílio da Igreja e dos cristãos, indica-lhes as palavras da sua justificação. É em perfeita paz que o cristão pode enfrentar um mundo hostil; ele não precisa de preparar muito a sua defesa; basta-lhe submeter-se ao amor da assistência do Espírito Santo e ele colocará no seu coração e nos seus lábios as palavras que deverá dizer.

O Espírito Santo enviado sobre a Igreja nascida no Pentecostes, está sempre a ser invocado por ela sobre tudo o que ela faz no seu ministério. A Igreja invoca o Espírito Santo sobre cada cristão no seu baptismo, para que ele seja habitado por Deus e conduzido na fé, na esperança, no amor e na oração. Ela invoca-o sobre o pão e o vinho da eucaristia, para que o Espírito Santo realize as palavras do Senhor e que aquele pão e aquele vinho se tornem o corpo e o sangue de Cristo realmente presente. A Igreja invoca o Espírito Santo sobre os cristãos que confessam o seu pecado, para que sejam purificados e consolados. Ela invoca-o sobre os enfermos para que eles sejam fortalecidos. Ela invoca-o sobre os esposos para que o seu matrimónio seja fiel e indissolúvel, sobre os monges para que eles sejam confirmados na sua vocação e que se vivam alegremente nos seus votos de comunidade, de celibato e de obediência. A Igreja invoca o Espírito Santo sobre todos os seus ministros, para que eles proclamem fielmente a Palavra da verdade, que eles administrem os sacramentos conforme a instituição de Cristo, que eles conduzam o povo de Deus como verdadeiros pastores da comunidade que lhes foi confiada.

Em tudo o que realiza, a Igreja vive pelo Espírito Santo e pede a sua poderosa ajuda. Por ele, ela consagra todos os homens e todas as criaturas, para que o mundo seja um louvor e uma oferenda ao seu Criador e Salvador.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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