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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 12. A Incarnação



 

 

Deus que é Amor, não poderia tirar proveito da revolta e da rebeldia do homem. Israel e os seus profetas prepararam um projecto que consistiu em reconciliar a humanidade e toda a criação com ele. Mas essa reconciliação não era possível ao homem pecador; ele não podia por ele próprio encontrar o caminho para o seu criador. Os próprios enviados de Deus, por causa da sua humanidade e do seu pecado, não podiam assegurar a total libertação do homem pela sua pregação da Palavra de Deus. A sua humanidade pecadora era ainda, apesar da Palavra de Deus que eles possuíam, uma tela muito opaca para que essa palavra pudesse ser apreendida em todo o seu poder de libertação espiritual. Era necessário que um ser sem pecado viesse trazer ao homem a força que o liberta dos lugares da sua revolta e do seu pecado e que o reconcilie com Deus. Só a pureza poderia deixar passar todos os raios da graça divina. Mas era necessário também que esse ser de santidade tornasse a salvação acessível ao homem. Não poderia ser um anjo, cuja espiritualidade faria desanimar o homem e convencê-lo-ia de que o que é possível aos seres espirituais não é possível aos homens carnais. Era necessário, portanto, um santo, totalmente puro, e um homem, totalmente humano. Foi assim que Deus decidiu vir ele próprio, o único santo e puro, habitar a nossa humanidade carnal para a reconciliar com ele próprio.

Para que Deus experimentasse verdadeiramente a nossa humanidade, ele não poderia somente habitar entre nós através de uma aparência humana. Isso ainda seria ficar longe e o homem não se sentiria ligado a ele, pelo seu exemplo humano, pela sua libertação da humanidade. Assim, Deus quis tornar-se homem, ele fez-se homem como nós, excepto no pecado. A pessoa do Filho incarnou-se em Jesus de Nazaré, filho da Virgem Maria, segundo a vontade do Pai e pela acção do Espírito Santo.

A incarnação consistiu na união indissolúvel de Deus-Filho com um homem absolutamente semelhante a nós, mas que não conheceu o pecado, santo e puro, perfeitamente obediente ao Pai e disponível ao Espírito Santo. Duas naturezas distintas, divina e humana, uniram-se em Maria, na anunciação do Anjo a ela. Estas duas naturezas continuaram perfeitamente distintas durante o tempo da incarnação, para assegurar ao mesmo tempo a real divindade e a total humanidade do Filho de Deus entre nós. Mas estas duas naturezas distintas encontram na própria pessoa do Filho de Deus a sua verdadeira e perfeita unidade.

Jesus Cristo, Filho de Deus e filho de Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem confusão e sem separação; ele é, em duas naturezas distintas, divina e humana, uma só pessoa: o Filho eterno de Deus.

Assim, o próprio Deus partilhou toda a nossa condição de homem. Por amor por nós, ele esteve muito próximo de nós. Ele foi criança, ele passou pelas alegrias maravilhosas e as tristezas indizíveis de criança. Ele foi adolescente, ele conheceu os temperamentos e as paixões da adolescência. Ele foi homem, ele conheceu a felicidade, as tentações, as angústias e os sofrimentos de qualquer homem. Ele foi amado e odiado como qualquer homem pode ser; ele conheceu o amor dos seres e as decepções do amor humano. Ele conheceu a espera da morte, a solidão e o abandono de muitos, na hora suprema. Cristo foi verdadeiramente eu-próprio, em toda a minha humanidade. Portanto ele pode compreender tudo da minha humanidade carnal que ele perfeitamente partilhou.

Esta comunhão perfeita de Cristo-Deus com a nossa humanidade é para nós fonte de uma imensa alegria. Nós temos em Jesus-homem um Deus próximo e compassivo; nele nós temos o amigo perfeito que tudo compreende e tudo partilha, a quem nós tudo podemos dizer t confiar. Nada nos pode separar deste Deus-homem que atravessou a distância criada pela nossa rebeldia e pelo nosso pecado. Porém, estando ele tão próximo de nós, se ele está em nós próprios pela sua humanidade, em toda a sua vida ele não conheceu o pecado; a sua santidade perfeita pode-nos santificar.

A sua proximidade não é uma partilha do nosso estado de pecador, mas da nossa humanidade que pode não conhecer necessariamente o pecado. Por ele, verdadeiro homem, nós conhecemos e vivemos a proximidade de Deus-Amor; por ele, homem puro, nós conhecemos e vivemos a santidade possível do homem.

Para ficar na pureza da fé cristã, nós devemos acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus incarnado na nossa humanidade, uma só pessoa em duas naturezas, divina e humana, não confundidas e não separadas. Se nós não virmos para além da unidade da pessoa do Filho de Deus, sem afirmar as suas duas naturezas distintas, a sua divindade e a sua humanidade, nós tornamos vã a incarnação, e o Senhor torna-se para nós distante e inacessível Se nós separamos as suas duas naturezas, sem considerar a unidade da sua pessoa de Filho de Deus, nós arriscamo-nos a isolar a sua natureza humana, de fazer de Cristo um profeta e esquecer que ele é Deus incarnado.

Em Jesus Cristo, Deus, na pessoa do Filho, fez-se totalmente homem, excepto no pecado, sendo totalmente Deus nessa maravilhosa incarnação.

 

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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