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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 38. A generosidade e a misericórdia



 

 

A generosidade da caridade é a recusa do cristão de procurar a satisfação do seu egoísmo (1 Cor 13, 5); pelo contrário, em qualquer situação, mo cristão abre o seu coração, para partilhar com o seu próximo. A generosidade traduz-se pela fraternidade, hospitalidade e liberalidade.

O homem tem a tendência de se considerar na sua individualidade, de defender a sua personalidade, a sua independência, o seu interesse. A generosidade da caridade abre-o à vida comunitária com os outros. O cristão vê-se então como um humilde membro do Corpo de Cristo, a Igreja, e da comunidade humana. Ele sabe que Deus age no seu povo universal do qual ele é um modesto elemento. O que lhe importa, é que a obra de Deus se realize no mundo, através daqueles que o servem, e não e não na defesa egoísta dos seus direitos e dos seus poderes individuais. O cristão considera-se um instrumento dócil nas mãos de Deus e alegra-se se outros parecerem mais úteis que ele próprio.

A generosidade desenvolve o espírito de fraternidade. Uma vez que todos os cristãos são irmãos na família de Deus, pouco importa quem Deus escolheu para realizar a sua obra. O que importa, é que a obra de Deus se realize e não que ela se realize por mim. A inveja entre cristãos ou entre comunidade na Igreja é uma lepra que a história já mostrou ter resultados degradantes. Como é que o cristão, que só procura a glória de Deus e a realização da sua obra, pode ter inveja do seu próximo porque lhe parece mais favorecido ou que tenha mais êxito que ele próprio? Para se livrar da inveja, que é a avareza do coração, o cristão deve ter nele o espírito de fraternidade e a consciência da unidade da família de Deus, onde todos são iguais em dignidade, como instrumentos de Cristo que escolheu uns e outros, para realizar a sua obra.

A generosidade implica o sentido da hospitalidade. O cristão não tem qualquer domínio sobre a sua vida em propriedade exclusiva. É verdade que ele possa encontrar-se em família ou numa comunidade restrita, alegrar-se na intimidade de amor ou de amizade, para se renovar na paz e no repouso necessários à sua vida, mas ele sabe que a sua casa e a sua mesa devem estar abertas para acolher aqueles o procuram. O cristão equilibra na sua vida o desejo legítimo de paz e de repouso e a exigência do acolhimento generoso dos outros em sua casa. Ele sabe que no hóspede que recebe é a Cristo quem recebe; ele coloca-se à sua disposição para lhe dar alimento e alegria; ele está atento ao que o seu hóspede lhe possa dar.

A generosidade conduz à prática da liberalidade. O cristão não está agarrado aos bens materiais e ao dinheiro. Eles são para ele o meio de existir, de fazer viver decentemente aqueles que Deus lhe confiou, de alegrar aqueles que, desfavorecidos que ele, precisam do seu auxílio. O cristão dá tudo o que pode e em abundância. Ele não possui nada para ele exclusivamente, ele é um intendente dos bens que Deus lhe confia para que os possa partilhar com largueza com todos os que o rodeiam.

A misericórdia é a caridade que não guarda ressentimento (1 Cor 13, 5). O cristão, que sabe que Deus tudo lhe perdoou e perdoa cada dia, está sempre pronto a perdoar as faltas dos outros para com Ele. O cristão deve tudo a Deus encontra-se sempre incapaz de viver à medida das graças que Deus lhe concede. O cristão está sempre em dívida para com Deus e então reza: «perdoa-nos os nossos pecados, como também nós perdoamos a quem nos ofende». Ele sabe que Deus responde à sua súplica e o cumula da sua misericórdia, perdoando todas as suas faltas. Mas, na oração, ele compromete-se, o de perdoar ao seu próximo as pequenas faltas que pode cometer para com ele. O cristão perdoa, como Deus o perdoa, ou seja, infinitamente.

Pelo seu espírito de perdão, o cristão é um sinal da misericórdia de Deus para os homens. Porque ele não julga, não dá conta do mal, fecha os olhos sobre as falhas, o cristão transmite confiança a quantos o rodeiam; ele é para eles um sinal do amor de Deus que os tranquiliza. O cristão pode ser generoso com a misericórdia de Deus e dispensá-la largamente ao seu redor, como um fiel intendente que recebeu esta missão de exercer a liberalidade com os bens do seu Mestre.

O cristão não pode guardar rancor para com o seu próximo; ele está sempre aberto à reconciliação. Mais, ele deve antecipar-se ao rancor do outro e tentar dissipá-lo, para poder fazer livremente e alegremente a sua oferta a Deus: «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta» (Mt 5, 23-24). O cristão perdoa sempre e procura o perdão dos outros, para que reine a paz entre os homens. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7).

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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