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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 22. A Palavra e os sacramentos



 

 

É pela palavra de Deus, contida na sagrada Escritura, lida e proclamada, e é pelos sacramentos, que o Espírito Santo suscita a fé no coração do homem e realiza a sua santificação.

Deus vem até nós no mistério da nossa vida e no segredo da obra do seu Espírito em nós. Não podemos limitar a obra de Deus no homem e no mundo à sua palavra e aos seus sacramentos. Não obstante, se é certo que Deus age invisivelmente e secretamente no homem e no mundo, pela sua providência e pela sua misericórdia, nós conhecemos os meios da graça pelos quais ele age visivelmente e explicitamente: a sua palavra e os sacramentos da sua presença e da sua obra. Lendo ou escutando a sua palavra, percebemos que é o próprio Deus que nos fala, nos apela e nos dirige. Nos sacramentos, é o próprio Deus que age, segundo a significação que ele próprio deu a estes gestos da Igreja. Se a acção de Deus é universal e ultrapassa largamente a sua palavra e os seus sacramentos, nós sabemos também que por eles nós percebemo-lo e encontramo-lo.

A leitura da sagrada escritura e a proclamação da palavra de Deus nela contida permite-nos entender o próprio Deus. É uma realidade certa para a fé cristã, mas é um mistério profundo. Porque a sagrada Escritura contém os acontecimentos da história da salvação, as relações entre Deus e os homens, porque ela contém as palavras pronunciadas por Deus através dos seus profetas, por Cristo, directamente e através dos apóstolos, a leitura do seu texto e a proclamação do seu conteúdo fazem surgir o convite dirigido por Deus ao Homem.

Mas este acontecimento não produz um efeito automático. É necessário, para que a palavra de Deus seja entendida com tal, que o Espírito Santo intervenha e esclareça o espírito do homem que lê a sagrada Escritura e que entenda a pregação da Igreja. A letra da Escritura ou a palavra humana do pregador devem estar vivificadas pelo Espírito Santo para que elas sejam palavra de Deus para o homem que lê e entende. Deus, portanto, alimenta com a sua palavra viva a inteligência e o coração; ele opera a santificação do homem.

Deus está objectivamente presente na sua palavra, contida na Escritura e na pregação bíblica da Igreja, mas é necessária a acção do Espírito Santo, que ilumina a inteligência e o coração, para que ela seja verdadeiramente palavra de Deus para o homem que lê e que entende; é necessária também uma preparação catequética da inteligência e do coração para que eles percebam a linguagem de Deus na Bíblia. O acontecimento objectivo da palavra de Deus exige portanto os meios intermediários humanos para alcançar a inteligência e o coração numa verdadeira compreensão da linguagem bíblica: a formação exegética dos pregadores, a formação catequética dos fiéis.

Deus está objectivamente presente nos sacramentos da sua presença e do seu agir, gestos da Igreja, instituídos por Cristo, mas é necessária a acção do Espírito Santo para que a obra de Deus, significada no sacramento, produza os seus frutos no homem que os recebe; no entanto, o sacramento toca directamente aquele que é beneficiário, sem meios intermediários humanos. Aqui, nós chegamos à diferença entre palavra e sacramento. Enquanto a palavra de Deus se dirige à inteligência e ao coração que devem estar instruídos para a compreender, para que ela se torne verdadeiramente palavra de Deus para aquele que a percebe, o sacramento afecta imediatamente o ser, realiza objectivamente o que significa, sem a mediação da inteligência e do coração, se bem que ele exige a acção do Espírito Santo que age sobre a fé para trazer os frutos do acto que ele significa e realiza. Aquele que é baptizado está totalmente envolvido na redenção realizada por Cristo, mesmo que ele não compreenda o que lhe acontece (a Igreja não baptiza as crianças?); somente o Espírito Santo que lhe poderá dar fé que ele possa sentir na sua vida os frutos do seu baptismo. Aquele que recebe Cristo, realmente presente, na santa ceia (a eucaristia), recebe-o totalmente, seja qual for a sua fé ou a sua compreensão do mistério que nele se realiza; mas somente pelo Espírito Santo vivificante é que a sua fé poderá ter na sua vida s frutos desta comunhão com Cristo, realmente e objectivamente presente na eucaristia. O sacramento é, de certeza, o sinal de que Deus age em nós, seja qual for a nossa fé, a nossa fidelidade e a nossa obediência, para nos manifestar o poder do seu amor que cobre os nossos muitos pecados: se nós somos infiéis, ele permanece fiel, porque ele não se negar a si mesmo. Deus é sempre fiel à promessa que colocou em cada sacramento e realiza em nós, mesmo se nós somos infiéis, porque ele não pode negar a sua promessa; mas esta fidelidade de Deus no sacramento é um convite à fidelidade e a produzir frutos desta obra de Deus em nós, graças à fé vivificada pelo Espírito Santo.

O sacramento é um sinal concreto ou material, instituído por Cristo e praticado pelos apóstolos e, depois deles, pela Igreja, que envolve a presença da acção de Deus. Deus, presente no acto sacramental, realiza a acção espiritual significada materialmente pelo sacramento. A realização objectiva do que significa o sacramento depende somente da promessa de Deus, sendo que a Igreja celebra-o segundo a vontade do Senhor. Os frutos espirituais do sacramento, consequências normais do seu efeito objectivo, desenvolve-se na medida onde a fé, vivificada pelo Espírito Santo e pela palavra de Deus, reconhece a plena significação do sacramento e aceita o movimento que ele cria no ser.

A tradição da Igreja reconhece no Evangelho dois sacramentos maiores, instituídos por Cristo: o baptismo e a eucaristia. No entanto, a tradição manteve outros sinais que algumas Igrejas reconhecem também como sacramentos instituídos pelo Senhor e praticados pelos apóstolos: a confirmação, a confissão, a unção dos doentes, o casamento e a ordenação. As que só reconhecem os dois sacramentos, deveriam admitir que nos outros cinco actos sacramentais que iremos falar, se encontram gestos, elementos, uma significação e um conteúdo que os assemelha aos dois sacramentos maiores do baptismo e da eucaristia.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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