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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 9. O Criador



 

 

Deus, que é amor vivo, criou o universo para o amar e se dar a ele. Ele criou, antes de mais, o mundo invisível, as criaturas angélicas que o representam e agem em seu nome. Estes anjos vivem invisivelmente entre nós e executam junto de nós a missão que Deus lhes confia. A criação e a existência dos anjos manifestam o carácter pessoal de Deus que não é um espírito difuso e disperso na criação. Deus é em três pessoas e utiliza ao seu serviço os anjos; o pensamento e a acção de Deus são pessoais e diversificam-se nos pensamentos e acções pessoais ao seu serviço e sob sua obediência. Nós sentimos ao nosso lado a presença dos anjos guardiães que asseguram a nossa protecção e executem perto de nós a providência de Deus a nosso respeito.

Este mundo angélico tem também uma função litúrgica. Associados à oração dos homens, os anjos celebram os louvores de Deus criador e redentor. Eles estão presentes na liturgia da Igreja para lhe dar o fervor da adoração e da acção de graças. Eles levam até Deus as orações dos cristãos, que se unem, assim, à liturgia celeste. Eles associam-se nessa adoração a todos os cristãos defuntos que esperam o restabelecimento glorioso do Reino eterno.

Quando a Escritura fala do céu, isso fala de outra coisa senão do mundo invisível que nos rodeia com a sua presença: Deus, os anjos e os santos, ainda que invisíveis, envolvem-nos por todos os lados e vivem connosco.

Quando falamos do céu, do mundo invisível, dos anjos e dos santos, não o poderemos fazer senão por imagens; todo este mundo escapa das nossas concepções humanas limitadas. Estas imagens não são mais do que aproximações que abrem o nosso espírito à contemplação do mistério da existência de Deus, do seu amor e da sua providência.

Deus é o criador da terra, de todo o mundo visível. O primeiro livro da Bíblia, o Génesis, evoca essa criação do universo só por Deus, no movimento do seu amor que se dá a um objecto. Os primeiros capítulos do Génesis não devem ser interpretados como relatos históricos. Os escritores sagrados utilizaram mitos religiosos, existentes em numerosas religiões, para se tornar ter de algum modo revelação da Palavra de Deus. Esta forma mítica é uma forma de linguagem poética utilizada pelos escritores inspirados para proclamar a Palavra de Deus sobre a criação: é Deus e só Deus que está na origem de todos os seres, do mundo mineral, vegetal e animal, e do homem, rei da criação.

Esta revelação sobre a criação bem como o governo de Deus da história primitiva do universo e do homem, é o essencial da mensagem do Génesis. Esta revelação não se liga a nenhuma posição científica e deixa o campo livre a todas as concepções metafísicas das origens, desde que se mantenha a afirmação da criação e do governo das origens por parte de Deus: ele conduz o processo físico e psíquico que está à frente do mundo visível tal como o conhecemos e dirigi-lo-á até à transformação final, em que aparecerão o novo céu e a nova terra.

Podemos pensar que a criação do mundo visível por Deus consistiu no aparecimento de condições físicas iniciais que, sob a direcção do próprio Deus, formaram pouco a pouco, depois de sucessão de caos e de escolhas providenciais, o universo mineral que nós conhecemos. Depois, Deus fez aparecer a vida, vegetal e depois animal, numa evolução que ele sempre dirigiu e na qual ele faz as escolhas necessárias: Finalmente, no fim desta evolução criadora, conduzida por Deus, o homem apareceu como o companheiro amado e obediente do Mestre da criação.

A distribuição poética do relato do Génesis em seis dias simbólicos é uma maneira de relacionar a obra de Deus, cumprida em longas etapas, e a obra do homem, nos seis dias da semana seguidos do repouso do sétimo dia. Nesta descrição poética da criação do mundo, Adão e Eva são os seres simbólicos que figuram os primeiros habitantes humanos da terra, a humanidade primitiva, a mesma que Deus quis chamar à existência não somente psíquica, mas consciente, pessoal e responsável.

Esta atenção dos relatos da criação pela terra no seio do universo e pelos homens primitivos, coroa desta criação não exclui a possibilidade de outros seres evoluídos, conscientes e inteligentes, filhos de Deus, tenham sido criados para além desta terra, sobre qualquer outro planeta do universo. A fé cristã não se pronuncia nestes campos que pertencem à ciência. A fé não implica uma doutrina do universo, uma cosmologia; ela afirma somente que todas as coisas foram criadas por Deus que as mantém na existência e as anima com a sua energia.

Deus, criador de todas as coisas, continua, com efeito, a sua obra da criação, fazendo evoluir sem cessar os seres para uma forma mais perfeita.

Toda a matéria está sob o seu poder e se encaminha para uma perfeição, orientada pela sabedoria e energia de Deus. Todas as descobertas da ciência, todas as realizações da física e da biologia, desde que estejam ao serviço do homem e do bem segundo Deus, fazem aparecer, aos poucos esta suprema inteligência divina que governa a matéria e a conduz à glória da nova criação, onde o mal e os seus poderes de destruição serão definitivamente excluídos.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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