Logotipo - Igreja do Convento de São Domingos
Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 14. Jesus Cristo, Filho de Deus



 

 

Na pessoa única de Cristo, Deus veio viver realmente e concretamente a nossa vida humana, com todas as suas dificuldades. Ao povo de Israel, escolhido de entre todos como o seu povo, Deus tinha falado e dado sinais da sua presença pelos sacerdotes e pelos profetas, nos escritos sagrados e nas liturgias sacrificiais. Mas, na Incarnação, veio ele próprio em pessoa viva entre nós, alegrar-se, sofrer e morrer como nós.

Desta partilha completa da nossa vida pelo próprio Deus reside toda a nossa salvação. Com efeito, apesar da sua Palavra e dos seus sinais, o homem não conseguiu encontrar uma comunhão duradoura com Deus. Então, ele decidiu tornar-se homem para partilhar totalmente a nossa existência e revelar-nos assim o que deve ser um verdadeiro homem, em comunhão plena com Deus e com os seus irmãos. Que Deus tenha vivido assim realmente como homem constitui o acontecimento fundamental e a originalidade da fé cristã.

Hoje, em cada momento da sua existência, nas suas alegrias, nas suas tentações, nas suas dificuldades e nos seus sofrimentos, na passagem da morte, o homem pode dizer que Deus, em Cristo, também viveu isso, alegrou-se, que teve idênticas dificuldades e sofrimentos , que conheceu igualmente a angústia e a morte. Sempre e em todo o lado, em todas as coisas, Cristo, Deus e homem, está connosco. E nesta comunhão total à humanidade de Deus, nesta união de Deus à nossa humanidade, nós encontramos a possibilidade da nossa salvação, conformidade com a vida de Cristo, participação na sua morte e partilhar da sua vitória.

Toda a nossa vida espiritual consiste em olhar, em contemplar Cristo, nele próprio e em cada um dos homens nossos irmãos. Contemplação e amor fraterno estão estreitamente ligados. Na contemplação nós encontramos Cristo, e, nele, cada um dos nossos irmãos. No amor fraterno nós encontramos os nossos irmãos, e, neles, Cristo vivo. A nossa fé e a nossa oração não se dirige a um Deus distante e inacessível. Certamente, Deus é transcendente, ou seja, que ele não se confunde com as suas criaturas. O cristianismo não é um panteísmo que vê Deus misturado e confundido como tudo o que foi criado. No entanto, a transcendência e a personalidade de Deus que o distinguem da criação e do homem não o fazem um Deus distante e escondido. Depois de que veio para junto de nós, na sua incarnação, Deus ficou próximo de nós. Nós encontramo-lo perto na sua Palavra, nos seus sacramentos, nos nossos irmãos. Nos nossos irmãos nós vemos a imagem de Cristo.

O amor fraterno ou a caridade não está separado do amor de Deus e da fé. Amar a Deus e amar o próximo é uma só coisa. Quando, por exemplo, São Paulo nos exorta a chorar com os que choram e a estar alegres com aqueles que estão alegres, ele convida-nos a uma comunhão de sentimentos humanos, mas também a reconhecer no sofrimento de um irmão o sofrimento do próprio Cristo, ou, na sua alegria, a presença do Ressuscitado. Chorar com um irmão que está triste, é encontrar-se ao pé da cruz de Cristo e discernir a dor do Crucificado no coração do próximo. Na contemplação de Cristo, pela oração, pela meditação, pela eucaristia, nós encontramos os nossos irmãos e o nosso amor por eles se renova. No amor dos nossos irmãos, nós contemplamos o rosto de Cristo, crucificado e ressuscitado, plenamente homem em todas as nossas tristezas e alegrias, e o nosso amor por ele torna-se mais ardente.

Em toda a sua vida terrestre, o Filho de Deus, Jesus Cristo, manifestou-se como Messias e profeta; na sua morte manifestou-se como Mediador e sacerdote; na sua ressurreição, ele manifesta-se como Senhor e rei.

Durante a sua vida, pelas suas palavras e pelos seus milagres, por toda a sua existência de amor e de sacrifício, Cristo mostrou que era verdadeiramente o Messias libertador esperado pelo Povo de Israel. Ele mostrou-se como o perfeito profeta, aquele que tem as palavras de vida e que realizou os gestos que dão a vida. Na sua morte, Cristo tornou-se o nosso único Mediador, aquele que por si só, pelo dom total de si próprio, pôde restabelecer a comunhão perdida entre o homem e Deus. Ele foi o sacerdote perfeito, oferecendo o sacrifício perfeito, o seu próprio corpo, para estabelecer a nossa unidade com Deus. Pela sua ressurreição, ele alcançou a maior vitória da história, a vitória sobre a morte, tornando-se assim para cada homem a esperança de uma ressurreição semelhante. Ele tornou-se o Senhor e o rei do universo, ao qual todos os poderes estão submetidos e que conduz infalivelmente a sua Igreja, e com ela toda a criação, à glória eterna do reino de Deus.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

R. João de Freitas Branco, 12, Lisboa, 1500-359 Lisboa
Tel: +351 217 228 370 | | E-mail: