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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 1. Como acreditar?



 

 

«A fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se vêem», escreve o autor da Carta aos Hebreus. Esta simples definição é suficiente para compreender o que é a fé.

A fé é um puro dom da bondade de Deus. No mistério da sua graça, Deus concede a seu devido tempo a todo o homem que encontra Cristo, o dom da fé para acolher a verdade.

A fé, é portanto, o fruto misterioso de uma acção directa do Espírito Santo, que criou no coração humano as condições espirituais necessárias para uma comunhão e uma relação de todo o ser a Deus, para uma confiança total nele, para uma compreensão interior da sua Palavra, para uma obediência consagrada à sua vontade.

A fé é em primeiro lugar o dom dado ao homem pelo Espírito Santo da comunhão e da ligação com Deus. O Espírito Santo estabeleceu entre o coração humano que ele prepara e Cristo que explica a Palavra uma comunhão de amor que está no princípio e no fim de toda a relação de fé entre o homem e Deus.

Em comunhão com Deus com quem que se une de todo o coração, o homem possui então a plena segurança da fé. Ele entra, ao mesmo tempo, numa via de garantia e de combate. Ele terá a luz interior do Espírito Santo que o assegurará plenamente da presença de Cristo e do amor do Pai, mas ele será frequentemente atacado pelos poderes do mal, da dúvida, da angústia, do orgulho… que tudo farão para o fazer perder a fé. Mas, nessa mesma provação, a fé desenvolve-se e torna-se uma mais forte certeza das coisas que se esperam.

A comunhão e a relação do homem a Deus acontece numa confiança total nele, numa compreensão interior da sua Palavra e numa obediência consagrada à sua vontade: relação do espírito e da vontade do homem com as realidades da salvação realizadas por Deus para o homem. A fé confia na verdade revelada, ela inclui a Palavra de Deus, ela obedece à sua vontade. Certamente que o homem de fé pode conhecer a provação da dúvida, a revolta da razão, a desobediência da vontade divina. Mas ao longo deste combate espiritual, a fé fortifica-se e tornam-se mais evidentes as provas das realidade que não conseguimos ainda ver.

Além da provação do pecado, a fé conhece também a aridez e a escuridão; a fé não é sempre a garantia alegre e prova radiosa. A fé não é a visão. Ela exige também um acto de vontade, cuja fonte e força estão em Deus, para superar os momentos de secura e de escuridade. Há noites da fé onde nós devemos aceitar caminhar com uma luz fraca. A fé aparece então como um salto no vazio onde se leva a sua miséria para a mergulhar na corrente da graça de Deus. É, talvez, nestes momentos de aridez e escuridão que a fé, ainda que fraca, se mostra mais pura; ela não tem qualquer apoio humano, racional ou sensível, ela é acto puro de confiança em Deus que no final da noite fará nascer a estrela da manhã.

A fé não é um acto puramente individual; a ligar e a sustentar a fé pessoal, está a fé da Igreja. A consideração de que não somos só nós a crer, mas que há uma comunidade de homens, local e universal, que rodeia o cristão e o acompanha no seu combate espiritual, é um dos grandes suportes da fé. Deus não nos chamou só a nós, independentemente dos outros; se ele dá o seu Espírito a cada cristão para suscitar e alimentar nele a fé, Ele dá-o primeiramente à Igreja, corpo de Cristo, porque cada cristão é um membro solidário com os outros.

Assim, é em conjunto que os cristãos vivem na fé; a garantia da fé é uma certeza comum, a provação da fé é para todos em comum. Quando vêm os momentos de secura e de escuridade, devemos repousar na fé dos outros cristãos que crêem como nós, e, nesses momentos de combate, talvez mais e melhor que nós. E esta fé comum da Igreja, fruto do Espírito Santo nela, permite ao cristão que passa por um tempo de secura e de escuridade, de continuar a viver pouco a pouco no sopro da fé dos outros. Então, podemos dizer a Deus, com aquela antiga oração da liturgia: «Não olheis aos nossos pecados mas à fé da vossa Igreja». E o Pai, que nos vê a todos, numa mesma família cristã, no único corpo de Cristo, permite que a fé dos membros mais fortes passe para aqueles que estão a passar pela provação. A fé da Igreja torna-se aos poucos a fé de cada um, mesmo a dos mais fracos, a dos mais inquietos e a dos mais atormentados.

(fr. Max, de Taizé - Tradução fr. Filipe, op)

 

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