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Co-Padroeiros

comunidade Santos Mártires do Vietnam

Pequena biografia de três mártires do Vietnam co-padroeiros desta igreja: São Pedro Sanz (1680-1747), São Melchior Garcia-Sampedro (1821-1858) e São Pedro Almató (1830-1861)

 

 

SÃO PEDRO SANZ

São Pedro Sanz nasceu a 3 de Setembro de 1680 em Ascó, Tarragona. Com 17 anos entrou no convento dominicano de Lérida tendo sido ordenado sacerdote a 20 de Setembro de 1704. O seu ardor missionário fez com que fosse para o Extremo Oriente, tendo chegado a Manila em 1713 depois de uma viagem tortuosa.

Depois de aprender a língua chinesa, foi enviado para a região de Fukien, na China. Apesar a repressão anti-cristã, ele conseguiu exercer o seu apostolado, refugiando-se no Cantão, onde foi ordenado bispo em 1730, mas pouco tempo depois foi exilado para Macau.

Oito anos depois consegue regressar a Fukien, retomando com grande vigor a evangelização, curando os doentes e os indigentes e confortando os perseguidos. Em 1746 é capturado e depois de uma violenta caça aos missionários. É-lhes instaurado um processo por andar a Evangelizar e, juntamente com quatro companheiros, é condenado à morte.

No dia 26 de Maio é decapitado, fora da cidade.

O processo canónico para a sua beatificação foi introduzido em Roma no prontificado de Pio VI e terminou no pontificado de Leão XIII, no dia 14 de Maio de 1893.


SÃO MELCHIOR GARCIA SAMPEDRO

São Melchior Garcia Sampedro, nasceu em 1821 em Cortes, nas Astúrias, e concluídos os cursos de Filosofia e Teologia na Universidade de Oviedo, tomou o hábito dominicano em 1845. Logo depois da sua ordenação presbiteral foi enviado para Manila, nas Filipinas, como professor na Universidade de São Tomás. Em 1849 foi para as Missões para o Vietname. Em 1855, sendo Vigário Provincial com apenas 34 anos, foi sagrado Bispo e nomeado coadjutor de D. Diaz Sanjurjo e sucedeu-o depois do martírio deste em 1857. Não obstante as duras perseguições aos cristãos, visitou corajosamente as suas comunidades administrando os sacramentos e fundando colégios, convento de irmãs e orfanatos. Foi preso e condenado à morte a 28 de Julho de 1858. O seu corpo jaz na Catedral de Oviedo. O Papa João Paulo II canonizou-o, juntamente com outros santos do Vietname em 1988. A sua festa celebra-se a 24 de Novembro.


(Extrato de uma carta D. Frei Valentim Berrio-Ochoa, sucessor de São Melchior Garcia Sampedro à Sagrada Congregação De Propaganda Fide.)

 

"Setembro, 7 de 1858.

 

Agora, sim, por um lado dando graças a Deus Omnipotente e misericordioso, com alegria e com gozo no meio destas angústias, pelas vitórias dos soldados de Cristo, e por outro lado chorando, com amargura na alma, os novos mals que vieram sobre a afligida Missão de Tung-King Central, prostrado humildemente aos pés dos Eminentíssimos Padres, referirei breve e sucintamente e com estilo pouco elegante aquelas vitórias e estes males. E para fazê-lo com alguma ordem, dividirei em quatro partes a minha narração:

1ª) O cálice da paixão que com júbilo beberam o Vigário Apostólico de Tung-King Central e seus dois familiares.

2ª) O estado dos que foram encarcerados por causa da fé cristã, e dos que, provados nos tormentos, foram desterrados.

3ª) O estado do Vicariato em geral.

4ª) As faculdades que preciso para o governo do Vicariato.

 

Em relação à primeira, de nenhum modo posso dar melhores noticias à Sagrada Congregação que oferecendo-lhe os testemunhos de um missionário enviado por mim aos arredores da Capital em que estavam detidos os Servos de Deus para que cuidasse, com toda a diligência, da administração dos Santos Sacramentos e de tudo o resto pertencente aos soldados de Cristo.

Este missionário foi testemunha ocular dos tormentos que, com alegria, padeceram o Vigário Apostólico os dois familiares presos com ele. Um deles se chamava Domingos Kiep, e ainda não tinha cumprido dezanove anos de idade. O outro chamava-se Domingos Hien, e tinha vinte e um anos. Encarcerados os Servos de Deus, o dito missionário escreveu-me uma carta, em que diz entre muitas coisas:

"O Ilustríssimo Senhor está detido juntamente com Domingos Kiep num calabouço, construído no interior da casa do Governador geral, e foram destinados para guardar a sua porta vinte soldados dos mais fortes e dez oficiais, sem contar outras tropas divididas em pelotões colocados dentro e fora da casa. À entrada da prisão espalharam espinhos agudíssimos que tornam impossível a entrada.

Os sentinelas procedem de tal modo, que quando têm que levar comida ou roupa aos Servo de Deus, fazem antes um diligente escrutínio nessas mesmas coisas necessárias para o seu uso e sustentação, e nos utensílios em que isso se leva, de tal maneira que interior e exteriormente examinam tudo, não vão eles encontrar alguma carta ao Venerável Prelado. Feito isto, um dos soldados leva os alimentos até á porta da cela, e ali os entrega a Domingos Kiep. Do mesmo modo se faz o escrutínio quando acontece ter que tirar alguma coisa da cela.

Domingos Kiep foi cruelmente açoitado uma vez com varas, e já lhe arrancaram com tenazes dois bocados de carne. Ainda que tivesse sido atormentado tão desumanamente, calou-se, e não abriu a sua boca; foi assim que muitos dos que estavam lá louvaram a sua fortaleza".

Foi isto que me referiu o tal missionário. Obrigaram Domingos Kiep a padecer estes tormentos, com o objectivo de tentar arrancar dos seus lábios algo que comprometesse as Missões, mas em vão, pois guardou a sua boca com grande prudência.

Pelo que toca ao processo dos mandarins e à sentença do Rei, serei breve para não incomodar a Sagrada Congregação. Referindo todas as calunias e asneiras que tanto o processo como na sentença aludem os mandarins e o Rei. Na formação do processo, os mandarins acusaram os Venerável Prelado de dois crimes:

- Primeiro, que já há algum tempo tinha entrado neste reino e se tinha atrevido a pregar a religião de Jesus Cristo, severamente proibida e proscrita por decretos reais.

- Segundo, que se tinha constituído chefe e cabeça de todos os que foram verdadeiramente rebeldes contra o seu Príncipe.

 

O primeiro dos crimes que se lhe imputou, se se pode chamar crime, não se deve sequer mencionar. Está provado pelo bem comum desta Missão.

 

Em relação ao segundo, demonstram claramente que é falso e que é simplesmente uma calúnia, a pastoral dirigida pelo Venerável Senhor Bispo a todos os cristãos do seu Vicariato, para afastá-los de toda a rebelião e de qualquer cooperação em revoltar-se contra o Príncipe, e a reserva de absolvição sacramental que impôs aos que levantassem bandeira neste sentido em qualquer dos lugares da sua jurisdição.

 

A imputação deste crime fundou-se na confissão, ou melhor, na falsa acusação de alguns cristãos, amantes mais do referente a esta vida temporal, acusação essa que se lhes arrancou à força de cruéis tormentos.

 

Falarei agora da vitória conseguida pelos soldados de Cristo, seguindo a narração daquele missionário: Numa outra carta que ele me remeteu no dia 2 de Agosto, diz: "No dia 26 de Julho, o Governador-geral fez comparecer o Venerável Prelado sem que se soubesse o que lhe diria.

No dia 28 de Julho, por volta das sete da manhã, tendo eu ouvido que os três ilustres soldados de Cristo eram levados ao suplicio, corri depressa para as portas da cidade, e pouco depois vi sair da porta voltada a Norte os mandarins, soldados, elefantes e cavalos, e aos dois irmãos Domingos Kiep e Domingos Hienl levando um jugo, que não era pequeno, posto ao pescoço, e caminhando de rosto alegre. E tendo chegado ao lugar do suplício, colocados os soldados em grupos à volta dos irmãos, adiantou-se um dos verdugos e cravando dois postes na terra, os atou fortemente a eles. E permaneceram assim atados, cerca de uma hora, atormentados com suplícios insuportáveis para as forças humanas".

Depois, o Venerável Senhor Bispo saiu pela porta que está voltada para Oriente e foi obrigado a passar por quase meia cidade diante dos postos dos comerciantes. Levava continuamente o breviário nas suas mãos, e não o deixou senão quando chegou à porta Norte, onde, deixando-o, abraçou a grande corrente, cerca de 70 libras de peso (cerca de 32 quilos), segundo ouvi, com a que estava preso. Uns vinte verdugos, levando nas suas mãos espadas desembainhadas, acompanhavam o Venerável Prelado, e cerca de quinhentos soldados rodeavam-no a ele e aos dois familiares.

Quando o Venerável Bispo chegou perto dos do lugar em que tinham sido atados os dois irmãos, estava tudo cheio de barro e empapado em água. Tinham-no obrigado a atravessar lugares pantanosos e enlameados. Colocado junto dos seus filhos, o Pai amantíssimo dirigiu-lhes certas palavras que não consegui entender. Ouvi, no entanto, a vários homens dizer que o Ilustríssimo Senhor Bispo tinha falado aos irmãos dizendo-lhes: Confortai-vos, filhos, e não tenhais medo.

Depois, um mandarim, montado num elefante, disse ao som da trombeta: primeiro execute-se a sentença pronunciada contra os dois discípulos: depois faça-se o mesmo com o Sacerdote. E tendo dito de novo o mandarim: Execute-se a sentença, dado o sinal com um certo instrumento, cortou-se a cabeça a Domingos Kiep com três golpes, e o verdugo pegando logo na cabeça, atirou-a ao ar. Feito isto, outro verdugo aproximou-se do lugar em que estava atado Domingos Hien, e de um só golpe cortou-lhe a cabeça e atirou-a ao ar.

 

Pegando logo nos corpos dos Servos de Deus, atiraram-nos a uma fossa feita no sítio do suplicio, e enchendo-a de agudíssimas espinhas e terra, obrigaram um elefante a pisá-la e a calcá-la.

Depois disto, um dos verdugos colocou uma esteira sobre a terra e uma manta sobre ela. Partida a cadeia que prendia o Venerável Prelado, o verdugo atirou-o violentamente para a terra e esticando todo o corpo, olhando o céu, fizeram-no colocar no dito estrado. O corpo do Venerável Prelado estava quase nu. Tinha vestido somente umas calças que lhe chegavam aos músculos.

Então, os verdugos, tendo fixado profundamente na terra dois postes e atado as mãos do Venerável Prelado, esticaram-nas até chegar ao sítio onde estavam os postes, onde as ataram. Depois fixaram na terra outras duas estacas junto da cabeça para comprimir fortemente o corpo do Venerável Prelado.

Colocadas logo outras duas estacas ao pé dos pés, e estes atados com cordas, esticaram-nos até chegar ao sítio das estacas, onde lhe prenderam os pés. Finalmente colocaram outros dois postes junto das pernas e ataram-nas aos postes.

Atormentado o Venerável Senhor Bispo tão cruelmente pelos verdugos, ouviu-se a voz do mandarim que, montado num elefante, disse ao som da trombeta: Cortem-se primeiro as pernas, depois as mãos, depois a cabeça e, por fim, abram-se as suas entranhas.

Ouvidas estas palavras, os verdugos puseram mãos à obra, e cinco deles, rodeando o Venerável Senhor Bispo e tendo cada um em suas mãos facas sem fio, começaram a cortar as mãos e as pernas comos e cortassem madeiras. Em relação às pernas, cortaram-nas sobre os joelhos, e para cortar uma delas foram necessários cerca de doze golpes; para cortar as mãos foram necessários uns seis golpes.

Enquanto os verdugos se vingavam tão cruelmente no venerável Prelado, este invocava continuamente o nome de Jesus, mas depois de lhe cortarem as pernas e as mãos, apenas conservou as forças, e a sua língua já não se podia mexer.

Depois, um dos verdugos cortou-lhe a cabeça, dando uns quinze golpes. Por fim, abertas as suas entranhas arrancaram-lhe o fígado e o fel. Atiraram o corpo e os membros cortados numa fossa ali aberta, fazendo o mesmo para fechá-la como tinham feito com a dos discípulos. Mas em vão se esforçaram por obrigar um elefante a pisar a terra que cobria o corpo do venerável Prelado. Quanto maior era a força que lhe faziam, mais ele se afastava.

Depois disto pegaram na cabeça do Ilustríssimo Senhor Bispo e suspenderam-na junto da porta que está voltada para o Meio-dia. O fígado e o fel foram suspensos junto da porta virada a Oriente. No dia seguinte, 29 de Julho, despedaçada a cabeça em vários bocados, atiraram-na ao mar, durante a noite."

Foi isto que me referiu o citado missionário, e basta isto em relação à primeira parte."

 


SÃO PEDRO ALMATÓ

Pedro Almató nasceu no dia 1 de Novembro de 1830, em Feliu Saserra, Barcelona. Com 17 anos, por conselho de Santo António Maria Claret, deixa o seminário de Vic e entra no convento dominicano de Ocaña. É enviado a Manila para completar os estudos e receber a ordenação sacerdotal.

Em 1855 vê finalmente cumprir-se o desejo de ir evangelizar as missões mais perigosas do Vietnam. Mas, desde que chega, as suas doenças impedem-no de exercer o apostolado como tinha desejado. As contínuas emboscadas e perseguições obrigam-no a ele e ao seu bispo, Valentin de Berrio Ochoa a levar uma vida errante, até que em 1861 são apanhados e feitos prisioneiros.

Morreu no mesmo dia em que nasceu, do ano de 1861, com apenas 31 anos; ele que «conservou a sua alma limpa de pecado mortal, vivendo sempre uma vida casta e virgem», como declarou o seu confessor. Juntamente com os bispos Valentim e Jerónimo Hermosilla, Pedro chegou ao martírio metido numa jaula, beijando a cruz que os verdugos deitaram ao chão para que ele a pisasse e rezando o rosário a Maria, a Senhora da sua vida.

Foi beatificado em 1906 por São Pio X, e canonizado a 19 de Junho de 1988.

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