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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

Lumen Gentium

O Concílio Vaticano II analisado pelo Cardeal Poupard

Capítulo um: A IGREJA

No final da primeira sessão conciliar extremamente pesada e até confusa, de 11 de Outubro a 8 de Dezembro de 1962, em que se via, pelas evidências, que não seria de todo o fim do Concílio, o cardeal Montini, arcebispo de Milão, retomando uma ideia do cardeal Suenens, arcebispo de Malines-Bruxelas, perguntava: "Igreja de Jesus Cristo, que dizes tu de ti mesma?" E propôs, para organizar uma imensa matéria reunida, de modo informal, tomar a Igreja como fio condutor, a Igreja ad intra e ad extra, a Igreja ela própria e para o mundo. Quando foi eleito papa, tomou o nome de Paulo VI, depois da morte de João XXIII e, depois da primeira sessão, vai ser neste sentido que abrirá, com grande empenho das comissões conciliares, aumentadas para este efeito, e estimuladas por um grupo de quatro moderadores: os cardeais Doepfner, Lercaro, Suenens e Agaggianian, sendo os três primeiros arcebispos residenciais de Munique, Bolonha e Malines-Bruxelas, e o quarto, de origem arménia, tinha passado, praticamente toda a sua vida activa na cúria romana, ao serviço das missões. Tendo principiado no dia 11 de Outubro de 1962, o concilio tinha publicado, no dia 20, uma mensagem de esperança ao mundo, encerrando os trabalhos a 8 de Dezembro. João XXIII morre a 3 de Junho de 1963. O concilio tinha ficado suspenso. Mas, no dia seguinte à sua eleição, a 21 de Junho de 1963, Paulo VI, na sua primeira mensagem urbi et orbi, anunciou oficialmente a sua intenção de continuar o concílio ecuménico. A segunda sessão decorreu entre 29 de Setembro e 4 de Dezembro de 1963, a terceira de 14 de Setembro a 21 de Novembro, e a quarta e última de 14 de Setembro a 8 de Dezembro de 1965.

Um intenso trabalho decorria nos intervalos das sessões, graças às reuniões das comissões e das subcomissões onde os bispos beneficiavam largamente da presença de numerosos peritos e da consulta a outros tantos conselheiros.

A discussão do esquema sobre a Igreja teve lugar de 1 a 7 de Dezembro de 1963, e de 20 de Setembro a 31 de Outubro de 1964. O texto foi aprovado definitivamente durante e sessão pública de 21 de Novembro de 1964 por 2151 votos a favor (placet) e 5 contra (non placet), e imediatamente promulgado por Paulo VI. Depois de longos debates e discussões, às vezes muito acesas, o papa unia-se com alegria a esta unanimidade eclesial e declarava: "Assim se completa a obra doutrinal do I Concílio Ecuménico do Vaticano: foi explorado o mistério da Igreja, e traçado o plano divino da sua constituição fundamental". Uma nota explicativa preliminar (nota praevia) esclarecia o sentido.

 

I. O mistério da Igreja

A constituição dogmática Lumen Gentium, assim chamada, segundo o costume, por causa das duas primeiras palavras que abrem o seu primeiro capítulo sobre o mistério, tem a seguinte dedicatória: "Paulo, bispo, servo dos servos de Deus, juntamente com os Padres do sagrado concílio, para perpétua memória". E no final, tem o seguinte texto, forte e significativo: "Todas e cada uma das coisas que nesta Constituição dogmática se estabelecem, pareceram bem aos padres do Concílio. E nós - pelo poder apostólico que nos foi confiado por Cristo - juntamente com os veneráveis padres, no Espírito Santo, as aprovamos, decretamos e estabelecemos, e tudo quanto assim conciliarmente foi estatuído, mandamos que, para glória de Deus, seja promulgado. Roma, junto de São Pedro, aos 21 de Novembro de 1964. Eu, Paulo, bispo da Igreja Católica".

Seguem-se as assinaturas dos padres conciliares.

Uma palavra, muito difundida, simbolizou o grande movimento posto em acção pela iniciativa imprevista de João XXIII: o Aggiornamento, palavra de difícil tradução, que exprime uma ideia simples, a de fazer o ponto de situação e actualização para melhor responder à missão confiada por Cristo, bem como responder à expectativa, às vezes confusa, dos homens. "Vinde e vede", dizia o velho papa de Bérgamo, na sua linguagem tão fresca: «Varremos a casa, limpámos o pó, abrimos as janelas e colocámos flores para vos receber. É a casa de Deus, é a vossa casa, a Igreja de Cristo». Uma palavra-chave, portanto, ao serviço de uma grande ideia: colocar a Igreja à altura de acolher todos os homens, e voltar a trazer os que se tinham afastado ou não a conheciam bem ou não lhes merecia muita atenção.

Mas, antes de mais, para começar: O que é, então, a Igreja?

Depois de dois mil anos de existência, a Igreja não esteve à espera do Vaticano II para se dizer a si própria. Mas, ainda assim, o mistério da Igreja não tinha ainda sido objecto de uma reflexão conciliar. Normalmente entendida pelo exterior como uma sociedade no meio de outras, com a sua organização própria, os seus chefes, a sua estrutura e as suas leis, a Igreja é, antes de mais, um mistério. Era necessário voltar a dizê-lo e assinalá-lo logo nas primeiras palavras que este mistério tem a sua origem em Cristo. É Ele e só Ele, que é a luz para todos os povos. E a Igreja não tem outra missão senão a de conduzir todos os homens para Ele, para que sejam iluminados pela sua luz e beneficiem dos dons da sua graça. Para no-lo fazer compreender, o concílio recupera as grandes imagens da revelação bíblica. A Igreja é um redil em que a única porta é Cristo. Ela é o rebanho do qual ele é o pasto, que deu a sua vida pelas suas ovelhas. Ela é a terra que Deus cultiva. Ela foi plantada como uma vinha escolhida, fonte de vida e de fecundidade. Ela é o edifício que Deus construiu sobre Cristo, pedra angular. É a casa de Deus, a sua morada, a sua tenda onde habita no meio dos homens. Ela é feita de pedras vivas unidas pelo cimento do amor. Ela é a cidade santa, pronta como uma noiva adornada para o seu esposo. É a Jerusalém celeste, a cidade de Deus, a esposa imaculada do Cordeiro sem defeito. É o corpo místico do qual Cristo é a cabeça e nós os membros. Ela ama-a como sua esposa, modelo do homem que ama a sua mulher como ama o seu próprio corpo. Assim ela é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, irrigada pela graça de Deus que comunica pelos seus sacramentos. Una, santa, católica e apostólica, avança, como diz Santo Agostinho, caminhando entre as perseguições do mundo e das consolações de Deus.

 

II. O Povo de Deus

Esta Igreja, nascida do coração de Deus para a salvação de todos os homens, não é uma sociedade qualquer, no meio de tantas outras que têm uma finalidade terrena. É o povo de Deus, um povo imenso, em que ninguém está excluído, e ao qual todos são chamados a fazer parte. Na dispersão que se seguiu ao pecado original, e no meio das nações pagãs, Deus constituiu um povo escolhido, o povo da aliança, o povo judeu, encarregado de manter, através do curso da história, a fé no Deus vivo que nos liberta dos ídolos. Apesar das dificuldades, e no meio delas, tendo um papel providencial de purificação, este povo abriu-se pouco a pouco à espera do Messias e à ideia universalista de uma salvação oferecida a todas as nações. Para além das diferenças de línguas, raças e convicções, todos os homens são chamados a fazer parte do novo povo de Deus, porque Cristo morreu para reunir na unidade todos os filhos de Deus dispersos. Sem deixar de ser um só, este povo estende-se pelo mundo todo e abarca todas as culturas. O traço constituinte de povo de Deus é a sua fé em Cristo, recebida e partilhada na Igreja. As igrejas particulares, longe de criarem divisões neste povo, são células vivas e orgânicas, que aumentam pelo baptismo, e se vivificam pela eucaristia e pelos outros sacramentos. A Igreja reza e trabalha em conjunto, para que o mundo inteiro se torne o povo de Deus.

 

III. O Episcopado

No povo de Deus, todos são irmãos, chamados a viver a mesma vida e a celebrar o mesmo culto na fé, oferecendo acção de graças. É o sacerdócio universal dos fiéis, que todos partilham, em igual dignidade como filhos de Deus. Mas este povo não é anárquico nem informal. Está estruturado. Tem uma hierarquia ao seu serviço, o que quer dizer que as funções que exercem não são, como diz Jesus no evangelho, à maneira dos homens que têm poder, mas como irmãos que exercem um serviço. «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja», disse Jesus ao apóstolo, colocando-o assim, visivelmente, à cabeça do grupo dos doze, como príncipe e fundamento perpétuo e visível da unidade da fé e de comunhão. É o colégio apostólico, instituído para ser testemunha de Cristo, em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até às extremidades da Terra. Porque Cristo é que é a suprema pedra angular. Esta missão é confiada aos doze não só através do espaço mas também através do tempo. Pela imposição das mãos, o dom recebido de Cristo pelos apóstolos transmite-se então, aos seus sucessores, de maneira ininterrupta. A consagração episcopal confere a plenitude do sacramento da Ordem, e, com a missão de santificar, ensinar e governar, na comunhão hierárquica com o chefe e os membros do colégio episcopal, o bispo de Roma, o papa, preside ao colégio apostólico. Nas suas funções, os bispos exercem pessoalmente um poder próprio, em nome de Cristo, ordinário e imediato. Por isso, são chamados, com toda a verdade, os chefes espirituais do seu povo.

Assim aparece, com toda a clareza o lugar do bispo na Igreja. Como disse Paulo VI ao promulgar a constituição dogmática, faltava isto para completar o primeiro concílio do Vaticano, não ao mudar mas ao explicar: "aquilo que era simplesmente vivido, é agora expresso; aquilo que era implícito, fica esclarecido; o que era meditado, discutido e, em parte, controvertido, chega agora a uma serena formulação… e a autoridade episcopal na Igreja, não surge em contraposição, mas sim em justa e constitucional harmonia com o Vigário de Cristo, chefe do Colégio episcopal".

 

IV. Os leigos

Os leigos são membros plenos do povo de Deus. Como dizia Santo Agostinho, "convosco sou cristão, para vós sou bispo; o meu primeiro título é a minha graça, o segundo a minha missão". Os leigos são, então, todos os fiéis, ou seja, todos os baptizados que constituem entre si um grande número de irmãos, membros do mesmo corpo, partilhando a mesma dignidade fundamental e a mesma missão evangélica, de serem testemunhas de Cristo no meio do mundo. O temporal (mundo) é o meio próprio que os caracteriza, e onde se realiza a sua missão singular, como o fermento. Como dizia São Paulo aos seus cristãos da Galácia: "Não há nem judeus nem gentios, nem escravos nem homens livres, nem homens nem mulheres: vós todos sois um em Cristo Jesus".

 

V. Chamados à santidade

Todos, leigos ou membros da hierarquia ao serviço do povo de Deus, são chamados à santidade. Os géneros de vida são múltiplos e as ocupações bem diferentes, mas o ideal é o mesmo: «Sede perfeitos, diz-nos Jesus no Evangelho, como o vosso Pai celeste é perfeito». Como seus pastores, todos os fiéis, seja qual for o seu estado e a sua condição, são chamados pelo Senhor, cada um seguindo o seu caminho pessoal, à perfeição dessa santidade que o Pai tem em plenitude. A antropologia cristã não é terra-a-terra, porque censura tanto a mediocridade como o ressentimento. O homem foi criado à imagem de Deus, livre e responsável. E o seu ideal, imitando Cristo, Deus e homem perfeito, está em ser na vida quotidiana o que é por vocação: filho de Deus. Participando da vida íntima de Cristo, os leigos incarnam este ideal envolvendo-se na sociedade para estabelecer o reino de Deus através da administração das coisas temporais. À imagem do Verbo feito carne, que viveu a sua relação filial com o Pai no meio das tarefas humanas, na casa de Nazaré, o leigo continua a obra criadora que o Senhor veio trazer depois do pecado. E vive na firme esperança de que no último dia, toda a história humana será consumada, purificada e transfigurada n'Ele.

 

VI. Os religiosos

Pelos três votos de castidade, pobreza e obediência, o fiel obriga-se a viver estes três conselhos evangélicos, entregando-se totalmente a Deus num supremo acto de amor. É a vida religiosa consagrada que testemunha no meio dos homens a vocação comum dos baptizados à santidade, de uma maneira muito particular, que a Igreja reconhece e valoriza. Desde as origens que houve homens e mulheres que quiseram, pela prática dos conselhos evangélicos, seguir mais livremente a Cristo e imitá-lo mais fielmente e que, cada um à sua maneira, viveram uma vida consagrada a Deus. Eles vivem só para Deus, dedicaram toda a sua vida ao seu serviço por uma consagração particular que se enraíza intimamente na consagração do baptismo, e o exprimem mais plenamente. O seu ideal é procurar Deus e amá-lo sobre todas as coisas. A Igreja reconhece este estado de vida estável aos que o Espírito Santo chamou. A castidade liberta singularmente o coração do homem, para que nele arda o amor de Deus e de todos os homens. A pobreza voluntária é um sinal de renúncia, a exemplo de Cristo, e um acto de confiança total no Todo-Poderoso. A obediência funda-se nas palavras e, sobretudo, nos exemplos do Salvador, que os religiosos querem imitar mais de perto. Os religiosos lembram assim, pela prática alegre da sua vida consagrada, que o Senhor pode e deve ser amado acima de tudo. Sinais vivos da transcendência do Reino dos céus que há-de vir, eles manifestam já a sua presença, e trabalham para o estabelecer, pela oração e pelo apostolado. Nos diversos estados de vida, contemplativos ou activos, manifestam o amor primeiro de Deus e a resposta amorosa dos homens, suscitada pela sua graça.

 

VII. Um povo a caminho

Todos os fiéis, seja qual for o seu estado de vida, leigos, religiosos, padres, bispos e o papa, estão a caminho do reino. Se os religiosos são um pouco como a vanguarda, a sua vocação particular, bem longe de os isolar do povo de Deus, insere-os mais profundamente no povo, porque, se todos são chamados à santidade, eles são-no pelo facto de também um dia virem a partilhar a plenitude dessa vida de Deus à qual toda a sua vida cristã, pouco a pouco, os configura pela escuta da palavra de Deus e da sua acção sustentada pela graça dos sacramentos.

Pela sua própria existência, o religioso manifesta desde já a presença real dessa vida divina sobre a terra. Ele antecipa, no meio do mundo e a seus olhos, a vida eterna a que todos estão chamados. O povo de Deus é só um, uns a caminho e outros já chegados ao seu termo, depois desta passagem misteriosa da morte que, em Cristo, é caminho para a vida. No meio deste mundo que passa, o povo de Deus participa com toda a criação nas dores do nascimento de um mundo novo, onde seremos semelhantes a Deus, porque o veremos tal como Ele é. De facto, Cristo chamará a si os nossos pobres corpos terrestres que, pelo baptismo, se tornaram templos de Deus, semelhantes ao seu corpo glorioso.

Também o cristão vive com os seus defuntos, não tão ligado ao passado, vivido de modo tão imperfeito como eles, mas na esperança de partilhar um dia com eles a vida do céu, que é o mesmo que dizer a vida do próprio Deus. Trata-se de uma verdadeira comunhão. A ligação é o amor mútuo. Mais estreitamente unidos a Cristo que não puderam ver na terra, mártires, virgens, confessores, santos conhecidos e desconhecidos, reunidos à volta da Virgem Maria e dos anjos, intercedem por nós junto de Deus. Nós amamo-los, rezamos-lhes, procuramos imitá-los. A nossa liturgia une-se ao seu louvor, numa alegria comum, enquanto todos, «de todas as tribos, povos e nações», como diz o Apocalipse, resgatados pelo sangue de Cristo, celebramos o sacrifício eucarístico onde, misteriosa e certamente, mas já em plenitude, Ele se dá a nós, para que nós nos demos a Ele, e encontremos a nossa alegria.

 

VIII. A Virgem Maria

Alguns quiseram, para melhor honrar a Virgem Maria, Mãe de Cristo e nossa mãe, consagrar-lhe um documento particular. A discussão foi áspera e difícil até que todos compreendessem que, ao integrar a Virgem Maria no documento sobre a Igreja, o concílio marcava da maneira mais forte a presença da Virgem, Mãe do Salvador, no coração do mistério da Igreja. A bem-aventurada Virgem Maria só pode ser compreendida no mistério de Cristo e da Igreja. Como diz o Credo da missa romana, «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus. E incarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem». Mãe do Filho de Deus, Maria é a filha preferida do Pai e templo do Espírito Santo. Também a Igreja a venera como uma mãe amorosa, a toda santa, cheia de graça, cooperante com o projecto de salvação de Deus sobre o mundo na liberdade da sua fé e em plena obediência. A sua adesão foi total, desde o anúncio misterioso do anjo, como São Lucas, seu confidente, nos conta no seu evangelho: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim a sua palavra».

Esta união da mãe e do filho na obra da redenção, diz-nos o concílio, manifesta-se depois do momento da concepção virginal de Cristo até à sua morte, na alegria do nascimento, na intercessão de Caná, na participação nas dores da paixão. Sofrendo profundamente com o seu único filho, Maria associa-se com toda a sua alma maternal ao sacrifício de seu Filho, aceitando com amor a imolação da vítima que ela gerou. Finalmente, o mesmo Cristo Jesus, morrendo na cruz, entrega-a enquanto mãe ao discípulo dizendo: «Mulher, eis o teu filho; filho, eis a tua mãe», segundo o testemunho do evangelista São João. Finalmente, a virgem imaculada, preservada de toda a mancha do pecado original, no final da sua vida terrestre, foi elevada à glória do céu em corpo e alma. Foi exaltada pelo Senhor como rainha do universo, a fim de se unir mais perfeitamente ao seu filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte.

Também Maria, no céu onde a assunção a introduziu, é a imagem e começo da igreja na sua consumação gloriosa. Ela é para o povo de Deus em marcha o sinal garantido de salvação, ela que foi na sua vida o modelo deste amor materno, no qual devem ser animados todos os que, associados à missão apostólica da Igreja, cooperam na regeneração dos homens. É, portanto, longe de qualquer exaltação como de qualquer estreiteza de espírito que o concílio convida os fiéis a considerarem a dignidade particular da Mãe de Deus e a rezar-lhe com fervor.

Na conclusão da obra do Concílio, Paulo VI não hesitou, de resto, ao promulgar a constituição dogmática sobre a Igreja, em ir mais longe que os padres, ao proclamar Maria, Mãe da Igreja: "Portanto, para glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima «Mãe da Igreja», isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que, com este título suavíssimo, seja a Virgem doravante honrada e invocada por todo o povo cristão... Este título pertence à genuína substância da devoção a Maria, achando a sua justificação na própria dignidade da Mãe do Verbo Encarnado… Do mesmo modo que, a convite do Papa João XXIII, a 11 de Outubro de 1962, entrámos na aula conciliar juntamente com Maria, Mãe de Jesus, assim também, ao terminar a terceira sessão, deste mesmo templo saímos com o santíssimo e suavíssimo nome de Maria, Mãe da Igreja.

 

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