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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 30. A oração



 

 

Aos dons que Deus nos concede abundantemente pela sua graça, na sua palavra e nos seus sacramentos, responde a nossa oração, a oração litúrgica da Igreja e a oração pessoal do cristão. Mas, porque nós nada podemos, na vida espiritual, sem a ajuda constante da graça de Deus, é o Espírito Santo que dá ao nosso coração o desejo da oração.

O Espírito Santo é o Conselheiro que reza connosco e em nós, como o afirma são Paulo: «O Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos» (Rm 8, 26-27). Portanto, Deus está na origem e no fim da nossa oração. É ele que nos dá o desejo e que nos inspira as intenções pelo Espírito Santo. Ele vem fortalecer a nossa fraqueza na vida espiritual; ele intercede por nós; ele une-nos a Cristo, nosso intercessor junto do Pai, numa mesma oração.

O Pai quer fazer-nos entrar na sua intimidade e na sua obra por meio da oração. A oração é desejo do Pai para nos fazer conversar e trabalhar com ele. Não somente o testemunho e o ministério, mas também a oração faz de nós seus colaboradores. É este diálogo e este trabalho com o Pai as razões fundamentais da oração; e ela une-nos assim à vida de Deus.

A oração cristã faz-se em nome de Cristo, nosso Senhor. Pela oração nos ficamos unidos ao Filho na sua obra de intercessão junto do Pai. A oração estabelece-nos numa comunhão muito particular com o Filho.

Portanto, a vida de oração faz-nos entrar nas relações do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Na nossa fraqueza nós invocamos o Espírito Santo que vem trazer-nos o auxílio à nossa vida espiritual., rezar connosco e em nós, unir-nos assim ao Filho que intercede junto do Pai. O Filho apresenta ao Pai as súplicas e os louvores de todos os fiéis, de todos os santos, de todo o se Corpo, a Igreja; Ele une-as à sua própria intercessão, junta-as ao seu sacrifício único ao Pai, como um memorial perpétuo, como uma invocação para que sejam atendidas em seu nome todas as súplicas humanas. O Pai atende esta intenção do Filho, que reúne todas as nossas orações em seu nome, inspiradas pelo Espírito Santo.

A oração cristã tem a certeza da resposta, não forçosamente num sentido exacto da sua intenção ou do seu desejo, mas no plano e segundo a vontade do Pai. Todas as respostas às nossas orações entram na perspectiva da salvação e da felicidade dos homens, a nossa e a do próximo. Todas as respostas às nossas orações fazem-nos entrar na comunhão e no amor de Cristo, na sua alegria e na sua felicidade: «Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa» (Jo 16, 24).

O Pai escuta-nos em nome de Cristo, pela sua perfeita obediência, pelo seu único sacrifício e pela sua eficaz intercessão; ele ouve-nos também na Igreja. Nós não estamos sozinhos a rezar, nem os únicos a sermos atendidos. Todas as orações dos fiéis estão unidas à oração da Igreja apresentadas pelo Filho junto do Pai. É necessário ainda que os nossos pedidos estejam de acordo, que eles coincidam com a obre universal de Deus e que concorram para a salvação e proveito de todos.

A oração da Igreja, como comunidade local e universal, é a liturgia, acção do povo de Deus em oração.

Na liturgia, a Igreja une-se a Cristo, o seu intercessor junto do Pai; é o próprio Cristo que age nela para a conduzir ao louvor e à oração, é ele que age pelos seus ministros para proclamar a sua palavra e manifestar a sua presença e a sua graça pelos sacramentos.

A liturgia é também a oração de toda a comunidade cristã. O indivíduo deve apagar-se para deixar passar por ele o louvor e a oração da comunidade cristã, de toda a Igreja. Esta atitude de comunhão eclesial não leva à passividade da pessoa. A objectividade e a universalidade da liturgia não dispensam o fiel do fervor e da participação.

A liturgia une também a Igreja sobre a terra a toda a nuvem de testemunhas que estão na paz. A liturgia é, então, um eco terrestre do louvor dos anjos e dos santos, invisivelmente presentes com Cristo na comunidade reunida.

A liturgia que é vida e compromisso, reflexo da incarnação, envolve todo o ser do homem e toda a criação. Os diversos sacramentos e símbolos da liturgia manifestam a unidade em Cristo da ordem da criação e da redenção; eles significam que a vida do cristão forma um todo, que não é dividida numa vida humana e social a santificar e numa vida espiritual e interior que santifica. A vida litúrgica excede toda a existência do cristão, ela enquadra-a, condu-la e dá-lhe o seu significado profundo.

A liturgia é a festa da família de Deus, onde cada um pode encontrar a expressão do seu louvor e da sua súplica, da sua alegria e da sua consolação. É o lugar da paz em Deus, onde se restauram as nossas forças para o combate no mundo. Mas é também o lugar onde diante de Deus nós exercemos a nossa função cristã do serviço dos homens. Na liturgia nós oferecemos o sacrifício da nossa vida, unida ao perfeito sacrifício de Cristo; nesse movimento de oferenda de nós próprios e do mundo ao Pai, por Cristo e pelo Espírito, nós aprendemos cada dia de novo a darmo-nos na existência quotidiana pelo amor aos homens nossos irmãos.

(Ir. Max, de Taizé - trad.: fr. Filipe, op)

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