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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

Gravissimum Educationis

O Concílio Vaticano II analisado pelo Cardeal Poupard

 

 

Depois de diversas etapas de preparação, redacção e emendas, a declaração sobre a declaração cristã foi promulgado por Paulo VI a 28 de Outubro de 1965. O texto tinha obtido 2290 placet contra 35 non placet. O concilio começa por afirmar os direitos básicos do homem á educação, especialmente as crianças e os pais: todos os homens, seja qual for a sua raça, idade ou condição, têm por dignidade de pessoa humana, um direito inalienável a uma educação que responde à sua vocação própria, seja de acordo com o seu temperamento, diferença de sexos, cultura e tradições nacionais, ao mesmo tempo que esteja aberta às partilhas fraternas com outros povos para favorecer a verdadeira unidade e a paz no mundo. O objectivo que orienta a verdadeira educação é de formar a pessoa humana na perspectiva do seu fim mais alto, e do bem dos grupos de que o homem faz parte e ao serviço dos que irão exercer a sua actividade adulta.

 

II. A educação cristã e os seus responsáveis.

Ao mesmo tempo, o concílio afirma que, para cumprir a missão que lhe confiou o Senhor que a fundou, de anunciar a todos os homens o mistério da salvação e de tudo edificar em Cristo, a Igreja deve abranger a totalidade da vida do homem, e compreender as suas preocupações humanas, na medida em que estão ligadas à sua vocação sobrenatural. O concílio proclama igualmente o direito, para as crianças e os jovens, de serem levados a apreciar saudavelmente os valores morais com uma consciência recta e a acolhê-los numa adesão pessoal, e também a conhecer e a amar a Deus de um modo mais perfeito.

Os pais, porque deram a vida aos seus filhos, têm a grave obrigação de os fazer crescer, e neste ponto, devem ser reconhecidos como os seus primeiros educadores. A seu tarefa educativa é de tão grande importância que, em caso de a sua parte falhar, dificilmente será preenchida. A família é a primeira escola das virtudes sociais necessárias a qualquer sociedade. E a família cristã permite às crianças fazer a primeira experiência de Igreja. Mas esta tarefa, que cabe em primeiro lugar à família, precisa da ajuda da sociedade. Outros direitos dos pais e educadores a quem são confiadas uma parte da tarefa educativa, são os das responsabilidades e direitos na sociedade civil, á qual lhes pertence preparar o que é necessário para o bem comum temporal.

Por fim, a Igreja tem competência no âmbito da educação, sobretudo porque ela tem por missão anunciar aos homens o caminho da salvação, comunicar as crentes a vida de Cristo e os ajudar por uma atenção constante em alcançar a alegria plena dessa vida em Cristo. É como Mãe que a Igreja é educadora, pela catequese e também pela escola.

 

III. As escolas e a escola católica

Entre todos os meios de educação, a escola tem uma importância particular: desenvolvimento das faculdades intelectuais, exercício do pensamento, transmissão do património cultural, promoção do sentido dos valores, preparação para a vida profissional, promoção do espírito de camaradagem que leva à compreensão mútua. E porque o direito e do dever, primeiro e inalienável, de educar os filhos é dos pais, eles devem ter uma verdadeira liberdade na escolha da escola. E os poderes públicos, que têm a função de proteger e defender a liberdade dos cidadãos, devem velar pela justiça distributiva repartindo as ajudas dos fundos públicos de tal maneira que os pais possam usufruir de uma autêntica liberdade na escolha da escola para os seus filhos, segundo a sua consciência. Qualquer monopólio neste campo é contrário aos direitos da pessoa humana, ao progresso e á difusão da cultura, à concórdia entre os cidadãos e ao pluralismo, que é hoje em dia a regra num grande número de sociedades.

A Igreja deve estar presente, de um modo particular, entre as muito numerosas crianças que não frequentam as escolas católicas, para que as famílias possam assegurar aos seus filhos, em todas as escolas, uma educação conforme aos seus próprios princípios morais e religiosos. Mas a sua presença manifesta-se sobretudo pela escola católica. Esta desenvolve os fins culturais e a formação humana dos mais novos. Mas o que lhe é próprio, é criar na comunidade escolar uma atmosfera animada por um espírito evangélico de liberdade e caridade, de ajudar os adolescentes a desenvolver a sua personalidade, fazendo ao mesmo tempo aumentar a nova criatura a que são chamados pelo baptismo, e finalmente, orientar a cultura humana para o anúncio da salvação. Assim, o conhecimento progressivo que os alunos adquirem do mundo, da vida e do homem, será iluminado pela fé. O concílio proclama novamente o direito da Igreja de fundar e dirigir escolas de todos os tipos e de todos os graus académicos. Lembra que o exercício deste direito toca na liberdade de consciência, na garantia dos direitos dos pais, bem como ao progresso da própria cultura.

 

IV. As universidades católicas

Neste contexto educativo onde a Igreja deve estar presente, as escolas primárias e os colégios secundários, nas escolas técnicas e profissionais, institutos de alfabetização e ensino especializado, o concílio atribui uma importância muito particular às escolas superiores, e sobretudo às faculdades e universidades. Estas permitem fazer perceber mais profundamente como é que a fé e a razão se juntam para alcançar a única verdade. E elas são como que uma presença pública, permanente e universal do pensamento cristão no esforço intelectual para a mais alta cultura. A coordenação nacional e internacional é necessária para uma melhor eficácia. E o concílio exprime a sua gratidão a todos os educadores cristãos, pelo seu espírito de renúncia evangélica, pelo seu valor pedagógico, pela sua preocupação em inspirar nos alunos na aproximação a Cristo, e na ajuda que dão à Igreja. Eles não só ajudam a renovarem-se interiormente mas aumentam e servem o mundo com a sua presença benfazeja, e em especial no mundo da cultura.

Na Páscoa de 1979, João Paulo II promulgou, no seguimento do concílio, a constituição apostólica Sapientia Christiana sobre as faculdades e universidades eclesiásticas e que se tornou orientativa, dali em diante, para os 35 ateneus romanos, 46 universidades católicas, 35 faculdades de estudos eclesiásticos, 34 faculdades de teologia nas universalidades laicas, e os quatro institutos de cultura religiosa no mundo.

 

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