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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 8. O Pai todo-poderoso



 

 

Deus, na sua vida divina, manifesta-se como um Pai cheio de amor pelo Filho e o Espírito Santo; ele escapa, na sua própria natureza divina, a toda a majestade terrível e longínqua. Deus não quis ser solidão; Deus é amor e esse amor surge na própria natureza de Deus como um amor paternal que gera o Filho e do qual procede o Espírito Santo. Na sua própria natureza, Deus existe para amar e para se dar.

A fé em Deus Pai, tal como Cristo nos revelou, situa imediatamente o crente numa relação de filiação confiante em relação a Deus e numa relação de fraternidade familiar em relação aos outros cristãos na Igreja, e também em relação a todos os homens sujeitos à salvação de Deus, o Pai universal.

Como Pai, Deus constitui toda a criação na unidade de uma grande família universal. Deus não tem as nossas limitações e as nossas fronteiras. Porque ele criou todas as coisas, ele vê toda a criação, mesmo apesar do pecado, na unidade da sua origem e do seu fim. Foi o homem que, pelo pecado, levantou barreiras entre as criaturas.

O Pai viu também a grande família humana que ele destina à salvação pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele convida todos os homens a considerarem-se como irmãos na única família da qual ele é Pai. Ele conhece cada um dos seus filhos, ele compreende-os no balbuciar das suas orações, nas suas tentativas religiosas para o encontrar, ele segue-os e condu-los na sua história, ele encaminha-os para o encontro decisivo com o seu Filho pelo Evangelho.

O Pai vê também a grande família cristã dos baptizados, no interior da grande família humana, filhos estabelecidos na casa de Deus, chamados a conduzir os seus irmãos no conhecimento do Salvador universal.

A contemplação do Pai coloca as divisões entre cristãos no seu devido lugar, o de um pecado indigno para aqueles que foram maravilhosamente adoptados, num único baptismo, para formar um só corpo irradiante do amor de Cristo no seio da família humana.

Todos nós fomos baptizados no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e por isso, nós fomos integrados no grande corpo universal que se chama o Corpo de Cristo, a Igreja. Este único baptismo fez de todos nós irmãos de uma mesma família em que Deus é o Pai. Todos nós acreditamos nas verdades essenciais da fé evangélica. A caridade liga-nos uns aos outros e, como diz São Paulo, esta caridade tudo crê; ou seja, que nós devemo-nos confiar totalmente, não nos recearmos, não nos opormos uns aos outros. Porque nós fomos integrados numa mesma família, mesmo havendo no seio dessa família dissensões provisórias, nós devemos fazer tudo, hoje em dia, para voltarmos a esta unidade profunda e visível.

O Pai é todo-poderoso. O seu poder está ao serviço do seu amor. Como ele conhece e ama cada ser humano, ele coloca ao serviço do seu amor paternal todo o seu poder da sua providência. Ele dirige os acontecimentos da história, impedindo que o pecado dos homens não resulte em catástrofes definitivamente irreparáveis. Ele prevê o nascimento de cada homem para lhe conceder as graças naturais particulares que formarão a sua personalidade única e insubstituível. Ele segue-o na sua vida, protege-o, guia-o, para que nada de irremediável lhe aconteça e o impeça de ser livre de acolher a Cristo quando o encontrar.

Ele decide sobre a sua morte, quando entender, de tal maneira que o homem não tenha nada a recear dos perigos da vida. Na mão do Pai, o homem está cheio de segurança, nada de importante lhe pode acontecer sem que Deus o permita, nada de secundário que não seja coerente com o seu destino final, previsto no pensamento do Pai.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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