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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 20. A comunhão dos santos



 

 

A Igreja é a comunidade visível dos cristãos que lhes abre, conduz e move a uma comunhão invisível, a comunhão dos santos.

Já vimos que a Igreja concebida como comunidade dos baptizados, edificada e estruturada pelos ministérios, é excedida, ultrapassada pela Igreja concebida como povo de Deus, conhecida só por ele. Há, portanto, uma maior extensão da Igreja: a comunhão dos santos que reúne entre eles todos os fiéis de todos os lugares e de todos os tempos. A Igreja, comunidade universal visível, leva consigo um povo numeroso conhecido só por Deus; ela está rodeada pela nuvem imensa das testemunhas de todos os lugares, em todos os tempos, que vivem com Cristo e que esperam a manifestação gloriosa do Reino de Deus.

A comunhão dos santos é esta imensa comunidade de todos os fiéis sobre a terra, conhecidos ou desconhecidos da Igreja visível, e de todos os fiéis na invisibilidade causada pela morte do corpo, a que a Bíblia chama o céu o ou paraíso. A comunhão dos santos é igualmente vínculo espiritual e oculto que une todos estes fiéis de todos os lugares e de todos os tempos numa solidariedade de oração, de vida, de alegria e de sofrimento. Este vínculo não é outra coisa do que a obra do Espírito Santo que une todos os membros do Corpo de Cristo, todos os que entraram na marcha do povo de Deus, todos os fiéis da terra e do paraíso, de todos os lugares e de todos os tempos.

A comunhão dos santos é uma solidariedade de oração. Todos os que pertencem a Cristo, pela fé e pelo baptismo, sustentam-se mutuamente pela oração de intercessão: rezam uns pelos outros. A morte não vem cortar este laço de oração: a tradição cristã pensou que os que nos foram tirados, pela invisibilidade da vida com Deus continuam connosco pela sua oração; deste modo, eles vêm em nossa ajuda pela sua intercessão junto do Pai. É Cristo, o nosso sumo-sacerdote, que preside a esta grande oração universal de todos os cristãos, a reúne e a apresenta ao Pai pela sua suprema intercessão.

A comunhão dos santos é também uma solidariedade de vida, de alegria e de sofrimento. Todos os fiéis de Cristo estão unidos numa vida comum universal. Eles podem ser exemplos uns para os outros; Se um membro do Corpo de Cristo está alegre, todos os membros se alegram com ele; se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele. Portanto, a nossa vida, as nossas alegrias e os nossos sofrimentos podem ser oferecidos a Deus pela oração e dar frutos. A nossa alegria pode levar os outros a glorificar a Deus; o nosso sofrimento pode ter um sentido para ajudar alguém numa dificuldade. Aqui está a maior esperança e o maior apoio do cristão na doença e na dor.

A vida, a alegria e o sofrimento dos que nos precederam e que agora estão no repouso de Deus têm a mesma força de exemplo, de entusiasmo e de oferenda. É por essa razão que a Igreja escolhe entre certos membros do Corpo de Cristo, que foram particularmente exemplares, para os propor como lembrança e alento aos cristãos. É a memória dos santos, que simbolizam pela sua vida, a sua fé, a sua obediência, o tesouro espiritual constituído por todos os que estão unidos na comunhão de todos os santos, ou seja, todos os cristãos de toda a parte e de todos os tempos. A Igreja lembra na sua liturgia a Virgem Maria, João Baptista, os apóstolos, os mártires, todos os principais testemunhas da sua história. Ela propõe-los como um exemplo de fé e de vida, ela lembra a sua oração actual diante do Pai, ela junta-nos a eles no grande cortejo de todos os cristãos que se encaminham para o Reino de Deus.

A memória dos santos é uma recordação diante de Deus de que estes testemunhos contribuem para o seu uso e para a sua glória, para que os atenda e nos faça participar na sua bênção. Assim, se opera entre todos os fiéis esta maravilhosa troca da comunhão dos santos, que nos faz participar ao mesmo tempo do tesouro das bênçãos que o Senhor multiplicou ao longo dos séculos em todos os que dele se aproximam, lhe rezam, vivem, se alegram e sofrem por ele.

É a Palavra de Deus que nos faz conhecer e amar Cristo, é pelos sacramentos que realizam a sua presença e a sua acção em nós, que nós acedemos a esta comunhão dos santos, porque não é directamente que nós temos a comunhão uns com os outros, mas somente através por Cristo e em Cristo. A unidade e a comunhão de todos os fiéis só são possíveis em Cristo e pela acção do Espírito Santo. É, portanto, pelo ministério de Cristo, realizado na Igreja e com o poder do Espírito Santo, que nós podemos beneficiar dos tesouros da comunhão dos santos. O Símbolo dos apóstolos significa este ministério de Cristo na Igreja pela referência à remissão dos pecados.

Veremos mais adiante como se realiza e se diversifica este ministério. Porque o pecado é um obstáculo à nossa comunhão com Deus, é pela sua remissão, pela misericórdia de Deus que se restabelece essa comunhão, que Deus nos olha como santos, como pecadores inteiramente perdoados, e que nos faz participar das bênçãos da comunhão dos santos.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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