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Igreja do Convento de São Domingos
Dominicanos

vela 13. A Virgem Maria



 

 

Deus, para se tornar homem, escolheu nascer da maneira mais humilde e escondida escolhendo para sua mãe uma virgem pobre.

Israel, na sua espera pelo Messias prometido, foi muitas vezes personalizado simbolicamente por uma mulher, uma virgem, a «filha de Sião». Deus escolheu Maria para que ela personificasse a esperança de Israel, filha de Sião. Foi assim que, portanto, que o Anjo a saudou, no dia da anunciação, ele usa uma saudação messiânica, anunciadora dos novos tempos da libertação: «Alegra-te, cheia de graça».

Deus cumulou de graça a Maria para a preparar para ser sua mãe. Esta graça vem só de Deus, no seu amor pelos homens e por Maria. Esta graça única santificou Maria, não para a retirar das condições da nossa humanidade, mas para a fortificar em vista do mistério da incarnação que nela iria acontecer.

A plenitude da graça de Deus chegou a Maria na sua pobreza e na sua humildade. Escolhendo uma pobre filha de Israel, virgem numa aldeia escondida, Deus fez iluminar a sua graça e a sua força na mais extrema fraqueza e impotência humanas. Maria, mesmo vindo a ser a morada de Deus, considera-se humildemente como a serva do Senhor.

Maria é chamada «Mãe de Deus» por toda a tradição. O Concílio de Éfeso (em 431), que definiu este título, quis afirmar a total divindade de Cristo e a sua total humanidade. Jesus, o Filho de Maria, mãe de Deus, é verdadeiramente Deus desde o instante da sua concepção. Se Deus, na sua encarnação, aceita ter uma mãe humana, Maria, mãe de Deus, é por onde ele se torna verdadeira e plenamente homem.

Maria foi a mãe do Messias-rei e encheu-se de alegria. A sua alegria exprimiu-se no Magnificat, o seu cântico, onde ela diz que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez por ela grandes coisas. A Igreja canta este cântico dando graças a Deus por Maria proclamando-a bem-aventurada.

Maria foi também a mãe do Servidor-sofrente. Simeão, no templo, no dia da apresentação, predisse-o: «Uma espada trespassará a tua alma». Ao longo da vida de Jesus, Maria renunciou pouco a pouco a sua maternidade humana para ser um membro do Corpo de Cristo, a Igreja. Ela viu o seu filho encaminhar-se para o desfecho trágico do seu ministério. Ao pé da cruz, ela assiste, dolorosamente, ao seu terrível suplício. Assim, como qualquer cristão, mas de um modo mais doloroso, porque era o seu próprio filho que era morto, ela completa o que falta na sua carne às dores de Cristo, segundo as palavras de são Paulo. Ela conforma-se com Cristo crucificado e nos ensina a nos conformarmos também a esses sofrimentos para conhecermos a alegria da ressurreição. Nessa comunhão com o Crucificado, o sofrimento de Maria, bem como o nosso, tornam-se oração de intercessão, uma oferenda ardente da toda a sua vida, para que outros conheçam também a felicidade da comunhão perfeita com Cristo.

Maria é figura da Igreja. Na sua maternidade única do Filho de Deus, ela mostra à Igreja a sua vocação de mãe dos fiéis: a Igreja, filha dos filhos de Deus Pai, irmãos de Cristo, pela Palavra e pelo baptismo; ela alimenta-os por essa mesma Palavra e pela eucaristia; ela consola-os pela absolvição, ela condu-los pelo ministério dos seus pastores. Maria mostra também à Igreja o caminho do serviço, da pobreza e da humildade, para que ilumine a glória de Deus na sua vida. Maria é uma mãe espiritual na Igreja, a primeira das mães que o discípulo fiel recebe como recompensa da sua obediência à vocação de Deus: «quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe… por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães…» O discípulo amado ao pé da cruz, simbolizando o fiel, irmão de Cristo, recebeu do Crucificado Maria, símbolo da Igreja, como sua mãe: «Mulher, eis o teu filho – e tu, eis a tua mãe». Maria, mãe espiritual na Igreja, convida-nos a acolher nas nossas vidas a Igreja como a nossa própria mãe, a amá-la, a servi-la, a velar sobre ela.

Na visão do Apocalipse, são João viu a Igreja gloriosa sob os traços de uma mulher no céu, e esta mulher tinha o rosto de Maria. Olhar para Maria é olhar para a Igreja que, do sofrimento dos combates deste mundo encaminha-se para a felicidade do Reino de Deus.

Nós podemos, então, rezar assim: Deus de vitória, concedei-nos a graça de olhar a multidão de testemunhas, para nelas encontrarmos coragem e força nos combates deste mundo; acolhe a nossa oração, acolhe a de Maria, unida à nossa na comunhão dos santos; faz-nos seguir o exemplo de fé, de piedade, de constância e de santidade, daquela que foi a mãe humana e que é a figura da tua santa Igreja, por Cristo, nosso Senhor.

(fr. Max, de Taizé - Trad.: fr. Filipe, op)

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